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Rússia/Crime

Bailarino do Bolshoi é condenado a 6 anos de prisão por ataque com ácido

O bailarino Pavel Dmitrichenko (dir:) chega para a audiência no tribunal de Moscou nesta terça-feira, 3 de dezembro de 2013.
O bailarino Pavel Dmitrichenko (dir:) chega para a audiência no tribunal de Moscou nesta terça-feira, 3 de dezembro de 2013. Reuters

Um tribunal russo sentenciou nesta terça-feira, 3 de dezembro de 2013, um bailarino do balé Bolshoi a seis anos de reclusão em uma colônia penal. Ele foi considerado culpado pelo ataque com ácido contra o diretor artístico da trupe. Esse foi o último capítulo de uma saga criminosa que expôs os bastidores da célebre instituição russa.

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O ex-solista Pavel Dmitrichenko e os outros dois acusados foram considerados culpados de infligir danos físicos graves premeditados no diretor artístico do Bolshoi, Sergei Filin.

O ataque de janeiro deixou Filin quase cego, pois o ácido jogado em seu rosto causou ferimentos graves em seus olhos e pele. Ele passou por várias operações e continua o tratamento na Alemanha.

Esse caso foi o maior escândalo envolvendo a mais famosa companhia de balé do mundo e revelou as lutas internas pelo poder na instituição.

Dmitrichenko, que era conhecido por dançar personagens sombrios como Ivan, o Terrível, teria concebido o plano para atacar Filin porque estava insatisfeito com a maneira como o diretor administrava os bailarinos.

"Dmitrichenko estava infeliz com a maneira como Filin distribuía papeis e bônus para os bailarinos, Dmitrichenko criou um plano criminoso", disse a juíza Elena Maksimova na última audiência do julgamento.

Segundo ela, Dmitrichenko pediu a um conhecido, Yury Zarutsky, que era ex-presidiário, que realizasse o ataque. Um terceiro homem, Andrei Lipatov, levou Zarutsky de carro para a cena do crime, diante do prédio onde morava Filin.

Zarutsky foi condenado a dez anos em uma colônia penal especial para criminosos reincidentes, enquanto Lipatov foi sentenciado a quatro anos.

O advogado de Dmitrichenko disse que o veredito é infundado e que seu cliente vai apelar.

No mês passado, Filin deu um testemunho muito emotivo explicando que sua visão está tão ruim que ele não conseguia nem ver seus filhos e dizendo que seus atacantes deviam pagar por seu sofrimento.

Sua advogada, Tatyana Stukalova, disse que iria conversar com Filin sobre o veredito, acrescentando que ele está atualmente na Alemanha para continuar o tratamento de seus ferimentos. Ela afirmou que se Filin considerar a sentença justa, a defesa não vai apelar.

A acusação de danos físicos premeditados pode ter uma sentença máxima de 12 anos de prisão.

O caso dividiu a trupe do Bolshoi entre defensores e críticos de Dmitrichenko, levando à saída do diretor geral Anatoly Iksanov e do célebre dançarino Nikolai Tsiskaridze.

No tribunal, esse último testemunhou que Filin era um "provocador" e mulherengo que protegia seus favoritos e envenenava a atmosfera nos bastidores do teatro.

Fiiln negou ter qualquer conflito com o bailarino de 29 anos, descrevendo-o como um jovem complicado que provocava discussões e queria arruinar sua reputação.

Por sua vez, Dmitrichenko disse que só pediu a Zarutsky para dar uma lição em Filin e que não tinha pedido que ele usasse ácido. Essa declaração foi confirmada por seu cúmplice. Zarutsky afirmou que agiu independentemente e nunca havia dito a Dmitrichenko que planejava usar ácido.

E os problemas parecem não ter terminado para o teatro Bolshoi. A instituição anunciou na segunda-feira que seu principal maestro, Vasily Sinaisky, tinha deixado inesperadamente a companhia, apenas duas semanas antes da estreia de uma nova montagem de "Don Carlos", de Giuseppe Verdi.
 

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