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Escândalo financeiro

Ex-contador do Vaticano recebe novo mandado de prisão

A imagem do Vaticano foi abalada nos últimos anos pelos escândalos financeiros e de pedofilia.
A imagem do Vaticano foi abalada nos últimos anos pelos escândalos financeiros e de pedofilia. wikipédia

O monsenhor Nunzio Scarano, ex-contador de alto escalão no Vaticano, já processado por evasão de divisas e tentativa de lavagem de dinheiro, teve um novo pedido de prisão decretado nesta terça-feira (21) em um novo caso de lavagem de dinheiro e falso testemunho, informou a brigada financeira italiana.

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O monsenhor Scarano se encontra em prisão domiciliar em Salerno, sua cidade natal no sul da Itália, devido ao primeiro processo judicial que começou em 3 de dezembro.

A nova acusação se refere à suposta lavagem de dinheiro por meio das contas do clérigo do Instituto de Obras Religiosas (IOR), o Banco do Vaticano. O padre Luigi Noli, ex-colaborador de Scarano, também é alvo de um mandado de prisão neste processo.

A polícia suspeita que Scarano ajudou empresários, advogados, médicos e ricos italianos a fraudar o fisco, por meio de "doações aos pobres" beneficiários das obras mantidas pelo IOR. Scarano depositava os cheques dos doadores, depois convertia as somas em dinheiro para entregar de volta aos benfeitores, que em seguida depositavam o dinheiro líquido em contas no exterior.

As autoridades sequestraram imóveis e contas bancárias do IOR no valor de 6 milhões de euros. Desde julho passado, os depósitos de monsenhor Scarano estão bloqueados.

O advogado do monsenhor, Silverio Sica, disse que seu cliente está "desorientado", "perdido" com as acusações, e é inocente. Sica explicou que as doações ao IOR foram acumuladas ao longo de vários anos e eram "contribuições de pessoas ricas às obras de caridade".

Em comunicado, a brigada financeira italiana revelou que as investigações começaram quando Scarano denunciou um furto à sua casa em janeiro de 2013. O clérigo disse, na época, que tinha sido roubado em vários milhões de euros, mas a quantia era incompatível com a declaração de bens do religioso. Foi nesse momento que a brigada financeira passou a investigá-lo.

Laranja

No primeiro caso, Scarano está sendo julgado pela acusação de conspirar para enviar cerca de 20 milhões de euros da Suíça para ricos amigos do ramo de estaleiros em Salerno, perto de Nápoles.

Scarano está detido desde 28 de junho de 2013, acusado de ter servido de "laranja" para transferências suspeitas procedentes de Mônaco efetuadas através do IOR.

Ex-chefe de contabilidade da APSA, agência que administra o patrimônio do Vaticano, ele escondia "o beneficiário real das operações (realizadas através de contas que ele controlava) e tentava impedir o rastreamento dessas somas em dinheiro", segundo a polícia.

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