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Linha Direta

Antes mesmo de referendo, Crimeia se prepara para integrar a Rússia

Áudio 04:11
Mulheres andam com carrinho de bebê com milicianos armados ao fundo, na Crimeia
Mulheres andam com carrinho de bebê com milicianos armados ao fundo, na Crimeia REUTERS/Vasily Fedosenko

O referendo que definirá a anexação da Crimeia à Rússia só acontece no domingo (16), mas a capital Simferopol já se prepara para se tornar a 84ª República da Federação Russa, observa o enviadol do jornal O Estado de S. Paulo à Ucrânia, Andrei Netto, em colaboração especial para a RFI. "Parte da população da Crimeia sonha desde a independência da Ucrânia, em 1991, voltar a fazer parte da Rússia. Os mais velhos, por exemplo, falam com saudosismo da União Soviética, e sonham em viver em uma Rússia tão forte como o bloco comunista foi", afirma Netto. 

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Vladimir Putin soube jogar com esse sentimento da população da península de maioria russa: "Ele insuflou na população da Crimeia a certeza de que todos os manifestantes pró-Europa de Kiev são fascistas ou neonazistas. O resultado é que a população da Crimeia tem medo do governo provisório instalado em Kiev depois da queda de Viktor Yanukovich".

Preparação econômica

Mas não é só nos planos ideológico e psicológico que a Crimeia se prepara para tornar-se russa. "Com o apoio de Moscou", explica Andrei Netto, "tudo já vem sendo preparado para que o controle de fronteiras e a estatização de empresas públicas da Ucrânia comecem a partir da madrugada de segunda-feira. O Banco Central da Rússia também já elabora um plano para a substituição da moeda local pelo rublo. Além disso, a estatal ucraniana de energia e também a companhia ferroviária local devem ser as primeiras empresas a serem desapropriadas por decreto. Com a estatal de energia também serão transferidos os campos de gás natural no Mar Negro, hoje explorados pela Ucrânia".

Uma reviravolta é improvável neste cenário. Para Netto, seria preciso que os Estados Unidos e a Europa aplicassem sanções muito mais fortes do que as atuais contra a Rússia e seus principais dirigentes, incluindo Putin.

Violência palpável

Apesar desta postura quase consensual com relação à anexação, o clima na Crimeia é tenso. Os acessos à região são controlados por homens encapuzados, armados de fuzis AK-47, o aeroporto só recebe aviões vindos de Moscou e jornalistas estrangeiros sofrem intimidações. "O risco de violência é palpável", afirma Andrei Netto.

"Não bastasse a vigilância permanente de milícias paramilitares russas e cossacas, na noite de quarta para quinta-feira, eu presenciei um grupo de hooligans depredando lojas no centro. A insegurança também ameaça jornalistas ucranianos e estrangeiros. Há dois repórteres ucranianos e dois militantes pró-Europa desaparecidos há três dias. Ontem um jornalista do grupo Canal+ passou o dia preso por milícias, até ser libertado à noite. Há um clima de intimidação, sim".

Para ouvir toda a conversa com Andrei Netto, enviado especial de O Estado de S. Paulo à Ucrânia, clique no link acima.

 

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