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Vaticano/ gays

Bento 16 se recusou a criticar papa Francisco sobre homossexuais

Papa emérito, Bento 16, participou da beatificação de Paulo 6º, neste domingo.
Papa emérito, Bento 16, participou da beatificação de Paulo 6º, neste domingo. REUTERS/Tony Gentile

O papa emérito Bento 16 se recusou a atender a um pedido dos cardeais conservadores da igreja católica para que criticasse a abertura do Vaticano aos homossexuais, incentivada pelo papa Francisco. Segundo o jornal italiano La Repubblica, cardeais visitaram Bento 16 durante o sínodo sobre a família, encerrado neste sábado (18), para buscar apoio do predecessor de Francisco contra a mudança do tom da igreja em relação aos gays.

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A revelação é feita na edição deste domingo (19) do diário. De acordo com fontes do jornal na Santa Sé, um grupo de cardeais conservadores foi recebido, em segredo, por Bento 16 no monastério onde ele vive desde que renunciou ao cargo máximo da igreja Católica, em março de 2013.

Diante dos protestos dos cardeais sobre o andamento do sínodo, que indicava uma linguagem mais compassiva sobre os gays, o papa emérito teria dito: “eu não sou o papa. Não se dirijam mais a mim”. Joseph Ratzinger também teria enviado uma mensagem a Francisco para se colocar à disposição caso o pontífice precisasse de ajuda teológica. Bento 16 é visto como um exímio conhecedor da doutrina católica e tem um perfil conservador. Mas sempre que questionado, ele faz questão de deixar claro o apoio ao papa argentino.

O sínodo acabou sem consenso a respeito de três polêmicos parágrafos sobre a acolhida que os católicos devem dar aos homossexuais. O impasse demonstra a divisão do Vaticano sobre o tema.

Beatificação de Paulo 6º

Neste domingo, com a presença do papa emérito Bento 16, Francisco beatificou seu antecessor italiano Paulo 6º. Diante de uma Praça São Pedro lotada, Jorge Bergoglio pediu em latim que "o venerável servidor de Deus, Paulo 6º, seja feito bem-aventurado". Ele anunciou que seu dia será o 26 de setembro.

Uma grande imagem de Paulo 6º sorridente e abrindo os braços foi exibida na basílica. "A este grande papa, este corajoso cristão, este apóstolo incansável, podemos dizer hoje diante de Deus apenas uma palavra tão simples quanto sincera e importante: obrigado!"

Interrompido pelos aplausos da multidão, ele prosseguiu: "Obrigado, querido e amado papa Paulo 6º! Obrigado por seu testemunho humilde e profético."

Paulo 6º, que concluiu o Concílio do Vaticano 2º, iniciado por seu antecessor João 23, e instituiu o "sínodo" - um órgão colegiado -, foi beatificado ao final do sínodo sobre a família convocado por Francisco, na presença de cardeais de todo o mundo. Em abril, Francisco havia canonizado João 23 (1958-1963) e João Paulo 2º (1978-2005).

O papa cita com frequência Paulo 6º, um papa de aparência frágil que, como ele, promoveu um diálogo sincero com o mundo "como ele é". Ele é respeitado por ter estabelecido muitos fundamentos da Igreja moderna, embora tenha sido criticado, até mesmo dentro da Igreja, por sua rejeição à pílula anticoncepcional em 1968.

Jorge Bergoglio tinha entre 26 anos e 41 anos durante o pontificado de Paulo 6º e foi bastante influenciado por esse período, em que acompanhava, em Buenos Aires, os acalorados debates em torno da Teologia da Libertação na América Latina.
 

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