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Grécia/ crise

"Sim" lidera pela primeira vez as pesquisas sobre o referendo na Grécia

Gregos estão divididos sobre a votação, entre o "sim" ("nai", em grego") e o "não" ("oxi").
Gregos estão divididos sobre a votação, entre o "sim" ("nai", em grego") e o "não" ("oxi"). REUTERS/Christian Hartmann

A dois dias do referendo na Grécia, que deve aprovar ou rejeitar o novo plano de austeridade proposto pela União Europeia, uma nova pesquisa publicada nesta sexta-feira (3) pelo instituto Alco aponta uma pequena vantagem do "sim", com 44,8% de intenções de voto, contra 43,4% para o "não". A inversão de tendência se confirma e é influenciada pelo controle de capitais implantado pelo governo.

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Com os bancos fechados desde segunda-feira, os gregos têm uma ideia concreta do que poderá acontecer se o país sair da zona do euro. A mesma pesquisa mostra que 74% dos gregos querem o país na união monetária, contra 15% que desejam o retorno de uma moeda nacional.

A campanha segue intensa, com manifestações programadas para hoje à noite. Os favoráveis aos dois campos protestarão em Atenas.

Inconstitucionalidade do referendo

Nesta sexta-feira, o Conselho de Estado da Grécia deve dar seu parecer sobre uma ação de inconstitucionalidade do referendo, apresentada por um advogado e um engenheiro. Eles avaliam que a votação deve ser cancelada por contrariar o artigo 44 da Constituição grega, que impede referendos sobre questões fiscais.

A queixa apresentada pelos dois cidadãos também contesta a pergunta que é formulada aos gregos na cédula, que não seria clara nem concisa, como prevê a lei. O Conselho Constitucional pode ainda se declarar incompetente para analisar o recurso.

O governo grego tomou uma série de medidas para facilitar o acesso aos locais de voto: os pedágios nas estradas serão gratuitos e as passagens de trem, avião e ônibus terão preços reduzidos. O Ministério do Interior garantiu que as cédulas chegarão a tempo nas 19 mil seções eleitorais. A organização do referendo deve custar € 22 milhões, segundo o governo, um valor que a oposição contesta e estima em € 100 milhões.

As incertezas ligadas ao resultado da votação afetam as bolsas de valores mundiais de forma diferenciada. Na Europa, os índices de Paris, Londres e Frankfurt abriram o pregão estáveis. Por outro lado, a bolsa de Xangai segue uma das mais afetadas pela crise grega. O índice local chegou a cair hoje 7% e encerrou as operações em baixa de 5,77%. Em Tóquio, o índice Nikkei fechou praticamente estável, a +0,08%.

Pressão da União Europeia

Com declarações duras e previsões sombrias, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional entraram com força no debate. Um documento do FMI afirma que a dívida da Grécia hoje é “impagável”. O FMI estima que os europeus só têm duas opções: prolongar por vários anos o vencimento das parcelas ou conceder um novo perdão e assumir as perdas.

O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, não fez rodeios e disse esperar uma vitória do "sim" no domingo, para que chegue ao poder "um governo de tecnocratas" e acabe "a era Syriza", o partido de esquerda do primeiro-ministro Alexis Tsipras.

Divisão

Na França, uma pesquisa mostrou que a maioria da população, 54%, quer que a Grécia continue na zona do euro. Na Alemanha, acontece o contrário: 51% dos alemães desejam a saída dos gregos do bloco da moeda única.
 

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