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Bósnia/Agressão

Primeiro-ministro sérvio leva pedrada em cerimônia pelos 20 anos de Srebrenica

Vucic, escondido sob um guarda-chuva, deixa o local da cerimônia cercado de seguranças
Vucic, escondido sob um guarda-chuva, deixa o local da cerimônia cercado de seguranças

O primeiro-ministro sérvio, Aleksandar Vucic, levou uma pedrada na cabeça neste sábado (11) e teve de deixar, sob forte proteção de seguranças, a cerimônia em memória ao 20° aniversário do massacre de Srebrenica. A pedra foi lançada por participantes do ato nessa pequena cidade da Bósnia ocidental, indignados com o fato de que a Sérvia se recusa a classificar a matança como genocídio.

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Dezenas de milhares de pessoas assistiam ao deslocamento de 136 corpos de vítimas de Srebrenica identificadas recentemente por testes de DNA para um memorial no leste da Bósnia, quando o primeiro-ministro foi depositar flores diante do monumento de mármore branco, com os nomes de mais de 6,2 mil vítimas identificadas.

A multidão começou a gritar "Allah Akbar (Deus é grande, em árabe)". A agitação evoluiu para uma vaia até que a chuva de pedras obrigou Vucic a fugir do local, enquanto os organizadores do evento pediam calma nos alto-falantes.

"A delegação liderada por Aleksandar Vucic deixou a cerimônia após um ataque durante o qual o primeiro-ministro foi atingido na cabeça por uma pedrada e teve os óculos quebrados", informou a agência oficial sérvia Tanjug.

O ministro sérvio do Interior, Nebojsa Stefanovic, denunciou o que chamou de tentativa de assassinato e acusou a Bósnia de não conseguir garantir a segurança do premiê. Para o ministro das Relações Exteriores da Sérvia, Ivica Dacic, o incidente foi um "ataque" ao país. "O primeiro-ministro se comportou como chefe de Estado ao decidir comparecer e inclinar-se ante as vítimas. É um ataque não apenas contra Vucic, e sim contra toda a Sérvia e sua política de paz e de cooperação regional", afirmou Dacic em um comunicado.

Genocídio

Nesta semana, a Organização das Nações Unidas tentou aprovar uma resolução que classificava como genocídio o massacre de mais de 8 mil homens e garotos muçulmanos pelas forças sérvias lideradas por Ratko Mladic. Mas a proposta foi vetada no Conselho de Segurança pela Rússia, que achou o texto poderia atrapalhar o processo de paz e reavivar antigos desentendimentos.

Na sexta-feira, a Rússia declarou esperar que os responsáveis pelo crime sejam julgados. Os supostos mandantes do massacre - o antigo presidente dos sérvios na Bósnia, Radovan Karadzic e o comandante Mladic - respondem ao processo no Tribunal Internacional Especial para a ex-Iugoslávia.

Srebrenica foi o o maior massacre na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. No sábado, Vucic publicou uma carta aberta na qual definiu a matança como um "massacre imperdoável", sem usar, no entanto, a palavra genocídio.

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