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Grécia/Imigrantes

Vídeo mostra guarda-costeira afundando de propósito barco com dezenas de imigrantes

Alto comissariado da ONU para refugiados pede à Grécia para controlar "caos" que se instaurou nas ilhas do mediterrâneo.
Alto comissariado da ONU para refugiados pede à Grécia para controlar "caos" que se instaurou nas ilhas do mediterrâneo. REUTERS/Yannis Behrakis

Pescadores turcos socorreram 47 pessoas que viajavam em um bote após policiais da guarda-costeira grega furarem a embarcação para que ela afundasse, de acordo com um vídeo filmado e divulgado pelos pescadores. Com um tempo favorável, grupos de imigrantes e refugiados continuam a chegar às ilhas gregas próximas à costa da Turquia. O caso mais emblemático neste momento é a situação de alerta em que vive a ilha de Kos.

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A gravação, feita com um celular, mostra os policiais afundando a embarcação para evitar que o grupo de imigrantes chegasse à Grécia. De acordo com o correspondente da RFI em Istambul, Jérôme Bastion, essa é a primeira vez em que este tipo de história, já conhecida pela população, é tão bem documentada.

O vídeo

As imagens foram gravadas por dois pescadores turcos que haviam reparado no bote que levava os quase 50 imigrantes, próximo à ilha grega de Chios.

Os pescadores conseguiram filmar um barco da guarda-costeira grega se aproximando, e se surpreenderam ao ver que eles entravam no espaço marítimo turco. "A guarda costeira grega não pode vir até aqui! O que é isso? Estamos em águas turcas!", dizem

O vídeo registra o momento em que uma lança corta a lona do bote, e desinfla toda uma parte da embarcação. "Ismaïl, olha lá, eles vão afundar o barco com uma lança! As pessoas estão na água!".

Os pescadores chegaram a temer também serem atacados pela guarda-costeira grega, mas o barco foi embora rapidamente em direção à ilha de Chios. Ainda com a câmera ligada, eles correram para socorrer os 47 naufragados, metade deles estavam prestes a se afogar. Uma parte das pessoas pedia ajuda em árabe.

Por causa da falta de espaço, os pescadores não conseguiram embarcar ninguém além de mulheres e crianças. Mas em seguida, a guarda-costeira turca se aproximou e conseguiu tirar da água todas as pessoas; sendo 35 sírias e 12 iraquianas.

Em Kos, quem conseguiu chegar espera ajuda

Nesta quinta-feira (13), centenas de imigrantes e refugiados desembarcaram na ilha grega de Kos, segundo informações do enviado especial da RFI, Daniel Vallot. Depois da cobrança feita por várias ONGs e mudanças na própria administração de Kos, a acolhida desses homens, mulheres e crianças melhorou um pouco, em relação ao começo da semana.

O registro de refugiados sírios, por exemplo, tem acontecido de maneira mais eficaz. As autoridades também preveem a distribuição de água e comida para evitar problemas sanitários e de saúde.

Na terça-feira (11), agentes da polícia chegaram a usar cacetetes e extintores de incêndio contra a multidão de migrantes que esperavam por atendimento do lado de fora de um ginásio, designado para abrigar essas pessoas.

A meteorologia, uma aliada

Embora a ilha de Kos esteja saturada, os imigrantes devem continuar chegando. Isso porque, nos últimos dias, o tempo está bom e a ausência de vento deve continuar encorajando outros grupos a se lançarem ao mar e tentar a sorte.

Enquanto a solução não vem, milhares continuam a dormir nas ruas, na praia e nos jardins públicos, em condiçõs extremamente difíceis. A precaridade dessa situação tem sido denunciada pelas ONGs que trabalham na região e pedem, com urgência, a abertura de um albergue para esses refugiados. A resposta do governo grego foi o envio, nesta sexta-feira (14), de um barco que pode abrigar mais de 2 mil pessoas.

O prefeito de Kos voltou a pedir "medidas extraordinárias para uma situação extraordinária".

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