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Hungria/Migrantes

Hungria envia 2 mil policiais à fronteira com a Sérvia para conter migrantes

Migrantes esperam por trem em uma estação da Macedônia para tentar chegar à Sérvia.
Migrantes esperam por trem em uma estação da Macedônia para tentar chegar à Sérvia. REUTERS/Stoyan Nenov

A polícia da Hungria informou nesta quarta-feira (26) que enviará 2.100 policiais a mais à fronteira com a vizinha Sérvia para conter a chegada em massa de migrantes, que vem batendo recordes nos últimos dias. O governo húngaro também estuda possibilidade de recorrer ao exército para barrar a passagem das pessoas que chegam à região dos Bálcãs fugindo de guerras e perseguições políticas no Oriente Médio e na África. A região se tornou, nas últimas semanas, palco de uma longa marcha dos migrantes rumo ao norte da Europa.

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Embora a decisão do governo húngaro sobre o envio de policiais seja oficial, a utilização de um efetivo militar para conter os migrantes na fronteira com a Sérvia depende do aval do Parlamento do país. Os deputados se reunirão na próxima semana para debater o assunto.

Nesta manhã, as forças de segurança húngaras atiraram bombas de gás lacrimogênio contra migrantes em um centro de acolhimento na cidade de Roszke, próxima à fronteira sérvia. De acordo com a polícia, os estrangeiros causaram confusão ao terem se recusado a permitir que autoridades registrassem suas impressões digitais. O porta-voz da polícia, Szabolcs Szenti, indicou que "os policiais tentam acalmar a situação, mas os migrantes não param de gritar".

Recorde de chegada de migrantes

A exemplo da decisão do governo do Reino Unido de reforçar as grades de proteção no porto de Calais, no norte da França, a Hungria deu início à construção de uma barreira ao longo de seus 175 quilômetros de fronteira com a Sérvia. De acordo com a polícia, mais de 2.500 pessoas, vindas principalmente da Síria, do Afeganistão e do Paquistão, chegaram ao país nesta terça-feira (25), um número recorde em um só dia.

Nas últimas semanas, milhares de migrantes empreendem uma arriscada viagem após desembarcar na Grécia. O caminho passa pela Macedônia e pela Sérvia até chegar à fronteira com a Hungria, última etapa para os refugiados entrarem na União Europeia.

"Não tenho outra escolha"

Bilal, um estudante de Damasco, foi ouvido pela reportagem da RFI em Belgrado, na Sérvia, quando estava prestes a fazer a travessia da fronteira com a Hungria. "Quando eu estava em casa, na Síria, eu sabia que esse seria o ponto crítico da minha viagem. Mas eu vou tentar atravessar. Não tenho outra escolha", declarou.

Até o início desta semana, a Macedônia bloqueava a passagem das pessoas em sua divisa com a Grécia. A passagem foi aberta e, segundo a enviada especial da RFI ao local, Charlotte Stiévenard, a situação está mais tranquila.

O chefe de missão dos Médicos sem Fronteiras na Macedônia, Stathis Kyroussis, acredita que a permissão de passagem aos migrantes evita dramas e violências. "Se dissermos que essas pessoas não podem passar, como estávamos fazendo há três dias, teremos dramas, feridos e gente colocando sua vida em risco. Tudo isso apenas por uma decisão política", disse, em entrevista à RFI.

Principal destino

A Alemanha, que é o principal destinos destes imigrantes, anunciou ontem que suspendeu a deportação de sírios de volta aos países por onde entraram na União Europeia, como autorizam os tratados europeus. A Comissão Europeia felicitou a Alemanha pelo que chamou de "ato de solidariedade".

Hoje, a chanceler Angela Merkel deverá visitar o centro de refugiados de Heidenau, no leste, que foi alvo de violentas manifestações da extrema-direita alemã durante o último fim de semana.

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