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Europa/Migração

França, Alemanha e Itália assinam documento por cotas de migrantes

Do lado de fora da estação de trem em Budapeste, garoto pede socorro
Do lado de fora da estação de trem em Budapeste, garoto pede socorro REUTERS/Laszlo Balogh

Enquanto França, Itália e Alemanha assinavam um documento de apoio à repartição igualitária dos migrantes pelo bloco europeu, cerca de 3 mil pessoas - entre elas, centenas de mulheres e crianças - foram resgatadas no Mar Mediterrâneo nesta quarta-feira, próximo da costa da Líbia. Não foram os serviços especializados, mas ONGs que realizaram o resgate.

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Pouco mais de 1650 migrantes foram alçadas ao barco Phoenix, utilizado pelos Médicos sem Fronteiras (MSF) e pela organização Moas, que presta auxílio a imigrantes em águas internacionais. Cento e treze crianças, em sua maioria originárias da Eritreia, estavam no grupo. O Argos, outra embarcação da MSF recolheu 993 pessoas, e a guarda costeira italiana, 1.219.

Mas esses números não são surpreendentes: frequentemente o número de migrantes resgatados em um dia ultrapassa os 4 mil. Esse afluxo mobiliza as autoridades europeias, que até agora não conseguiram estabelecer um plano de ação coordenado.

Por isso, Paris, Roma e Berlim pedem que as regras europeias - cujos "limites e imperfeições" foram escancarados pela crise migratória - para o asilo sejam revistas com urgência. A ideia é que o documento assinado nesta quarta pelos ministros das Relações Exteriores dos três países norteie as discussões da reunião de alto nível que acontecerá entre sexta e sábado em Luxemburgo.

Enquanto não há uma diretriz europeia, os Estados adotam medidas independentes diariamente, colocando em risco o tratado de livre-circulação dentro do bloco. Nesta quarta-feira, a Itália anunciou o reforço do controle do túnel de Brenner, que liga o país à Áustria. A ideia é aliviar a Alemanha, que recebe diariamente milhares de imigrantes. Estima-se que 15 mil pessoas entraram no país por essa rota desde o início do ano.

Novos conflitos na Hungria e na França

Na Hungria, a tensão voltou a crescer entre migrantes e policiais, que bloqueiam o acesso dos candidatos a asilo à principal estação de trem de Budapeste. Mais de 2 mil pessoas, impedidas de embarcar para a Áustria e Alemanha, começaram a gritar "Fora polícia", como já havia acontecido nesta terça-feira.

A situação piorou quando começaram a surgir relatos de que a polícia estava removendo os migrantes da estação e levando-os à força para colher impressões digitais em centros de registro. Houve empurra-empurra entre manifestantes e policiais e a tropa de choque chegou a ser acionada, mas ninguém ficou ferido.

Outro ponto sensível é Calais, no norte da França. Apesar de o reforço na segurança ter levado a uma redução expressiva no número de pessoas que tentam embarcar para o Reino Unido, essa noite o trem ficou várias horas parado depois que cerca de 150 migrantes foram detectados no trilho, tentado entrar no Eurostar. A circulação só foi normalizada às 10h30 da manhã.

Referendo no Reino Unido

Do outro lado do Canal da Mancha, a questão migratória deve ter papel fundamental nas discussões sobre a permanência do Reino Unido no bloco europeu. Depois de sua confortável reeleição em maio, o premiê David Cameron prometeu organizar um referendo sobre o tema, não só para agradar à ala eurocética de seu partido conservador, mas para frear o crescimento do Ukip, de extrema-direita.

Na próxima segunda-feira, o Parlamento volta a discutir a implementação da consulta pública e a livre circulação de pessoas dentro do bloco terá papel fundamental. O referendo está previsto para o final de 2017, mas alguns dirigentes conservadores acreditam que ele pode acontecer já no ano que vem. De acordo com a última pesquisa, 44% dos britânicos são favoráveis à permanência na União Europeia e 37% optariam pela saída.

Nesta quarta-feira, Cameron afirmou que não acredita que a Europa deva continuar a acolher mais e mais imigrantes, mas ajudar a estabilizar os países de origem dessas pessoas.

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