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Alemanha/Merkel

Fragilizada pela crise migratória, Merkel completa dez anos à frente da Alemanha

Angela Merkel vem perdendo sua popularidade por causa de sua posição sobre a crise migratória na União Europeia.
Angela Merkel vem perdendo sua popularidade por causa de sua posição sobre a crise migratória na União Europeia. REUTERS/Michaela Rehle

Esse domingo (22) marca o aniversário de dez anos da chanceler Angela Merkel no poder. O balanço da década é relativamente positivo, principalmente do ponto de vista econômico, já que a Alemanha atravessou as crises mantendo a sua posição de motor da União Europeia. No entanto, a chefe do governo vem registrando uma queda sensível em seus índices de popularidade, principalmente por causa da gestão da crise migratória no bloco.

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Quando Angela Merkel foi eleita há dez anos, apenas um terço dos eleitores esperavam que ela se tornaria uma líder forte. No entanto, uma década mais tarde, os alemães mudaram de opinião e estão relativamente satisfeitos com a política dos três governos dirigidos pela chanceler.

O balanço do período é visto como positivo em temas centrais, como a crise do euro, a queda do desemprego, a dívida do país e até a política externa, como no âmbito do conflito na leste da Ucrânia. Merkel contribuiu para evitar que a União Europeia (UE) ficasse marginalizada, viajando junto com o presidente francês, François Hollande, para Minsk. Ambos participaram das negociações para um cessar-fogo entre Putin e os ucranianos. Entre os líderes europeus, comenta-se que o presidente russo teria respeito apenas por Merkel.

Do ponto de vista interno, ela foi a responsável pela criação de um salário mínimo no Alemanha, pela transformação das práticas energéticas e pela limitação dos preços dos aluguéis, medidas que a ajudaram a manter uma boa imagem junto à população. No entanto, a recente crise migratória, que resultou na chegada de milhares de refugiados no país, mudou um pouco a opinião dos alemães. Desde que Merkel decidiu facilitar a entrada no país, se tornando um dos membros europeus a receber o maior número de imigrantes, seu partido, a CDU, vem perdendo o apoio na cena política e a popularidade da chanceler registrou um declínio.

Os países do centro e do leste do continente também acusaram a representante de Berlim de estimular ondas de imigrantes, que cruzam seus territórios para chegar até a Alemanha. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, chegou a rejeitar o "imperialismo moral" de Merkel.

Baixa de popularidade ainda não representa uma ameaça

Mesmo assim, segundo as últimas pesquisas, atualmente 60% dos alemães ainda estimam que Merkel é a pessoa ideal para dirigir o país. Como prova de sua influência, a chanceler desbancou o presidente norte-americano, Barack Obama, do segundo lugar na edição de 2015 do ranking sobre as personalidades mais influentes do mundo, elaborado pela revista Forbes. A lista é liderada pelo presidente russo, Vladimir Putin. Já a revista britânica The Economist chama Merkel de "europeia indispensável".

Natural da ex-República Democrática Alemã (RDA), no lado comunista, Merkel assumiu as rédeas do país em 2005, à frente do governo conservador da CDU, a União Democrata-Cristã.

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