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UE-Turquia/Crise migratória

UE e Turquia podem discutir plano anti-imigração no domingo

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan (e), ao lado de seu primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan (e), ao lado de seu primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu REUTERS

Os líderes da União Europeia (UE) se reunirão com a Turquia neste domingo (30) em Bruxelas para discutir a cooperação de Ancara no controle do fluxo de migrantes que não param de chegar à Europa, fugindo dos conflitos no Oriente Médio. O regime de Recep Erdogan, que será representado pelo premiê Ahmet Davutoglu, deve aproveitar o encontro para obter um novo impulso à sua adesão ao bloco e uma ajuda financeira de € 3 bilhões para acolher refugiados.

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A cúpula acontecerá em um contexto de tensão internacional, poucos dias depois de a Turquia derrubar um caça russo perto da fronteira com a Síria, de onde vem a grande maioria dos refugiados que chegam à Europa. Soma-se a essa tensão o fato de que a capital belga está ainda sob ameaça de ataques terroristas. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, participará da cúpula convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, sob pressão alemã.

"O que é complicado é que haverá, ao mesmo tempo, uma negociação entre europeus e uma com os turcos", indicou à Agência France Presse uma fonte diplomática europeia. Isso porque a Europa nunca conseguiu estabelecer um plano de ação conjunto para lidar com o problema, de modo que alguns países, principalmente no leste do continente, optaram por simplesmente fechar suas fronteiras, contrariando o tratado de Shengen, que regula a livre-circulação dentro do bloco. Na ausência de uma solução interna, os europeus buscam encontrá-la com os turcos, de quem exigem uma série de compromissos, incluindo o aumento do controle fronteiriço.

Condições turcas

"Para a UE, a cúpula visa reduzir o fluxo de migrantes. Para os turcos, trata-se de dar um novo impulso ao processo de adesão" ao bloco, afirmou outra fonte envolvida nas negociações sobre o texto final. Cerca de 700 mil imigrantes chegaram à Europa pela Turquia, que já abriga 2,2 milhões de refugiados e candidatos a asilo. Se todos os membros da UE se comprometerem a reunir os € 3 bilhões, o montante deve ser concedido em um ano ou em duas fases. A administração Erdogan espera também sair da mesa de negociações com o fim da necessidade de vistos para cidadãos turcos entrem na Europa e com um novo impulso para as negociações de adesão, travadas há anos.

"Fomos informados de que o Capítulo 17 das negociações (sobre a política econômica e monetária) será aberto em meados de dezembro", declarou o Erdogan na quinta-feira. A UE concorda globalmente sobre o princípio desta nova cooperação, mas os membros do bloco permanecem divididos sobre o alcance das promessas e condições. A UE criticou no início de novembro, "a tendência geral negativa no respeito ao Estado de Direito e aos direitos fundamentais" na Turquia e pediu ao governo turco "respostas a estas prioridades urgentes".

Sultanato

Vale lembrar que Recep Erdogan transformou o país em um campo de batalha depois de perder a maioria parlamentar nas eleições legislativas de agosto para o partido pró-curdo HDP. Ele iniciou uma impiedosa campanha de difamação contra seus opositores políticos, que incluiu pedidos de cassação de mandatos e o fechamento de canais de televisão próximos da oposição. Erdogan também lançou uma guerra contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), encerrando um cessar-fogo que já durava dez anos com a guerrilha curda.

Dois atentados atribuídos (mas não reivindicados) pelo grupo Estado Islâmico mataram mais de 150 militantes pró-curdos, de modo que o HDP cancelou seus comícios há poucas semanas das novas eleições convocadas pelo presidente. Com o clima de terror instalado e a oposição desarticulada pelo medo da violência, Erdogan conseguiu recuperar a maioria parlamentar no início de novembro.

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