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Espanha/Política

Vitória sem maioria dificulta PP de Rajoy formar governo na Espanha

O primeiro-ministro Mariano Rajoy prometeu formar um governo com apoio parlamentar. .
O primeiro-ministro Mariano Rajoy prometeu formar um governo com apoio parlamentar. . Foto: Reuters

O Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy venceu as eleições legislativas, mas sem maioria absoluta deverá ter dificuldades para formar o governo. Os resultados da votação também confirmam a entrada no parlamento dos partidos Cidadãos e Podemos, provocando uma fragmentação do cenário político espanhol.

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Com 26,8% dos votos, o PP se mantém como principal força política espanhola com 122 cadeiras no parlamento. Mas o resultado é bem bem abaixo das 176 necessárias para obter a maioria absoluta e governar sem o apoio de outras legendas.

Do palanque montado em frente à sede do partido, Rajoy insistiu que a diferença de mais de 30 votos no parlamento e de mais de milhão de votos para o segundo colocado nas eleições dá legitimidade para seu partido continuar no poder. Ele prometeu formar um governo estável, mas admitiu a dificuldade da tarefa.

"Quem ganha as eleições deve tentar formar o governo.Vou tentar formar um governo estável, para preservar o que foi feito nos últimos quatro anos", disse. O premiê Rajoy lembrou que no seu mandato a Espanha viveu um período “difícil e complicado” e foi obrigado a tomar medidas impopulares. “A margem de melhoria é grande, mas para isso é preciso ter apoio parlamentar”, comentou.

“Buscarei um governo estável porque o país precisa de estabilidade, certeza e confiança. Iniciamos uma etapa que não vai ser fácil. Será preciso chegar a entendimentos e acordos. Vou tentar", prometeu.

Socialistas sofrem derrota histórica

Contrariando as primeiras pesquisas de boca de urna, o Partido Socialista (PSOE) se manteve como a segunda maior força política do país, mas registrou o pior desempenho eleitoral de sua história.

Com 20,5% dos votos, garantiu 91 deputados. Ao comentar o resultado, o líder do partido, Pedro Sánchez, enviou um recado aos seus adversários: “Uma coalizão tentou destruir o Partido Socialista espanhol, mas não conseguiu". A referência foi ao Podemos, que liderou uma união de partidos de extrema-esquerda e recolheu muitos votos tradicionalmente reservados ao PSOE.

Sánchez comentou ter felicitado o premiê Rajoy e o partido PP pela vitória, e deixou as portas abertas do partido abertas para futuras negociações."Nessa nova etapa política na Espanha, é preciso abrir um processo de diálogo. O PSOE está disposto a renovar, a debater e fazer acordos para garantir a democracia", afirmou.

Estreia vitoriosa

Apesar do mau resultado, os socialistas respiram aliviados diante da possibilidade de derrota para o Podemos, como indicaram as primeiras sondagens de boca de urna. O partido de extrema-esquerda, estreia no parlamento espanhol com 69 deputados, um resultado impressionante para uma legenda criada a menos de dois anos e que enfrentou sua primeira campanha a nível nacional.

"Uma nova Espanha nasceu. Os espanhóis votaram por um novo sistema”, comemorou Pablo Iglesias, de 37 anos, diante de milhares de militantes reunidos na capital espanhola. Podemos chegou em 1° lugar em duas regiões autônomas, Catalunha e País Basco.

Como líder da terceira força política do país, Iglesias anunciou que vai pedir uma reforma constitucional e um novo acordo territorial para melhorar a representação política. Ele pediu uma "blindagem constitucional" para defender necessidades básicas dos cidadãos como saúde e moradia. No tom vitorioso de seu discurso, Iglesias prometeu lutar para obrigar o governo renunciar até a metade do mandato se não cumprir com algumas das promessas.

Quarta força

A nova etapa na política espanhola, com o fim da hegemonia do PP e do PSOE, também foi saudada por Albert Rivera, líder do Cidadãos, partido de centro direita que terminou em quarto com 15,2% dos votos e 40 deputados.

"Hoje a Espanha começa uma nova era política, uma nova etapa de esperança e ilusão. Milhões de espanhóis decidiram que este país deve mudar e querem reformas", afirmou. "Acabou a resignação. Vamos participar da mudança política", disse Rivera, 36 anos.

Segundo ele, os espanhóis mostraram para o país e para a Europa que existe um partido que se situa no centro do espectro político, necessário para o equilíbrio das forças. "Seremos o eixo das mudanças na Espanha. Vamos ser decisivos para formar a maioria necessária para mudar esse país", prevê.

Após o anúncio oficial dos resultados das eleições, um dos primeiros políticos a reagir foi Alberto Garzón, candidato pela Izquierda Unida (IU), coalizão da esquerda radical que conseguiu apenas 2 deputados.

"Não conseguimos acabar com o bipartidarismo, temos que admitir", reagiu, ao lembrar que os partidos tradicionais voltaram a ficar à frente na votação. No entanto, Garzón prometeu, como quinta força política do país, que "não se curvará a nenhum poder", em alusão a possíveis acordos políticos.

Outros seis partidos nanicos dividiram as 35 cadeiras que completam as 350 do parlamento espanhol.

 

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