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Economia

Bolsa europeia lança índice alinhado à meta da COP 21

Áudio 04:34
A NYSE Euronext é um grupo de bolsas de valores da Europa e dos Estados Unidos da América, com representações na Bélgica, França, Holanda, Portugal.
A NYSE Euronext é um grupo de bolsas de valores da Europa e dos Estados Unidos da América, com representações na Bélgica, França, Holanda, Portugal. REUTERS/Brendan McDermid

Na segunda-feira (30), primeiro dia dos trabalhos da COP 21, a grande conferência da ONU sobre o clima de Paris, a principal bolsa de valores da zona do euro, a Euronext, lançou uma nova versão do índice Low Carbon 100 Europe, que avalia as empresas de acordo com seu grau de responsabilidade ecológica.

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O mecanismo, estabelecido em 2008 por um grupo de especialistas que reuniu de banqueiros a ONGs, passando por traders e lideranças políticas, determina, entre as 300 maiores companhias de capital aberto do continente, as 100 mais comprometidas com a redução de emissões de poluentes.

O professor Stéphane Voisin, membro do comitê científico da Fundação GoodPlanet, que participou da criação do Low Carbon, explica que a vocação do índice é selecionar as 100 empresas europeias que têm a melhor performance em termos de redução das emissões de CO2. Para isso, "ele considera, de um lado, a intensidade histórica das emissões de gás carbônico e, do outro, a trajetória de redução; em linhas gerais, o esforço das empresas para reduzir suas emissões". A nova versão determina o alinhamento à meta da COP 21, de delimitar o aumento da temperatura a um teto de 2°C em relação à era pré-industrial. "A ideia deste índice é estabelecer valores compatíveis com um mundo e uma economia que, no fim do século, não podem ultrapassar esses dois graus", explica Voisin.

Para o especialista, a iniciativa tem o potencial de disseminar no meio empresarial a concepção de que o compromisso ecológico é benéfico para os negócios. Gradualmente, o índice poderia desconstruir o preconceito de que lucro e ecologia são incompatíveis. "É uma forma de provar isso", analisa Voisin, acrescentando que é "preciso adicionar várias nuances e precauções a essa afirmação". Mesmo assim, "nós demonstramos que as empresas menos emissoras têm a melhor performance num período relativamente longo, considerando que o índice existe desde 2008. E isso é uma boa notícia para o investimento responsável e para a mudança climática".

Filtragem tecnológica

Mas, ainda que as 100 empresas sinalizadas garantam uma chancela de responsabilidade ambiental e que os traders comprovem a viabilidade econômica do pregão carbono zero, ainda era difícil precisar se o índice deixava o mercado financeiro menos poluente como um todo. Para isso, a comissão presidida pelo ex-ministro francês do Desenvolvimento Pascal Canfin, que estabeleceu o índice, criou uma "filtragem tecnológica". A ideia é justamente traçar um panorama claro do quão "verde" é a carteira de ações dos investidores.

"A filtragem tecnológica permite saber exatamente no que estamos investindo. Eu faço uma metáfora: se você enfiar cabeça no forno e o pé na geladeira, em tese, você manterá uma temperatura estável de 37 graus, o que não dá dimensão do risco que você corre nos pés e na cabeça. O risco global que você corre é o caráter insustentável dessa posição. A ideia é a mesma: além da média fornecida pelas empresas e pelo índice, é preciso ver o que acontece na cabeça e nas pernas. Ou seja, no que chamamos de zona cinzenta das energias fósseis e na zona verde, das energias renováveis. É preciso ver se essa exposição está no caminho certo, da transição energética."

A versão lançada nesta segunda-feira melhorou essa filtragem tecnológica, de modo que, em breve, poderemos saber exatamente a impacto do mercado financeiro de baixo carbono no combate ao aquecimento global.

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