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Linha Direta

Se Reino Unido sair da UE, bloco pode implodir

Áudio 04:35
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, decidiu fazer um referendo sobre a permanência do Reino Unido no bloco europeu e para isso apresentou propostas para uma reforma no bloco.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, decidiu fazer um referendo sobre a permanência do Reino Unido no bloco europeu e para isso apresentou propostas para uma reforma no bloco. REUTERS/Morris Mac Matzen

As negociações em torno do futuro do Reino Unido dentro da União Europeia atingem o ponto máximo nesta semana, quando os líderes dos países do bloco se reúnem para uma cúpula de dois dias em Bruxelas. Depois de passar por Paris ontem (15), o primeiro-ministro britânico, David Cameron, vai nesta terça-feira (16) à capital belga para tentar conseguir mais apoio às reformas que o país exige para não abandonar o bloco europeu. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse, na segunda-feira, que as negociações com o Reino Unido estão em um momento crítico e que existe um risco verdadeiro de uma ruptura do bloco.

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Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Nas últimas semanas, David Cameron viajou a vários países da União Europeia para se encontrar com outros chefes de Estado e apresentar as propostas dele para uma reforma no bloco. Nenhum dos líderes do bloco se pronunciou abertamente sobre as exigências de David Cameron. Ele se reuniu nos últimos dias com alguns dos mais influentes, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, com quem ele esteve na segunda-feira. Depois deste encontro com Hollande as questões continuam no ar. O Reino Unido dizendo que a conversa foi construtiva e a França continuando firme na defesa de que não vai mudar os tratados europeus para atender as exigências dos britânicos. Nesta terça-feira, Cameron se encontra com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Mas Donald Tusk, que é quem está liderando essas negociações já conseguiu fazer com que os britânicos revisassem algumas de suas propostas de maneira a torná-las mais aceitáveis pelo resto dos governantes europeus.

Cameron em posição delicada no Partido Conservador

Essa mudança nas propostas iniciais acabou deixando David Cameron em uma posição delicada dentro do próprio partido dele, o Conservador. Muitos membros da sigla consideram que as novas propostas não são suficientes para garantir a autonomia que o Reino Unido deveria ter dentro do bloco, na opinião deles. Muitos até acusam Cameron de ter baixado a cabeça para a União Europeia.

Desde o início deste processo, o primeiro-ministro deu carta branca para seus ministros e parlamentares manifestarem abertamente sua posição em relação à saída do Reino Unido na União Europeia. Mas, apesar de ter dito que vai fazer campanha pela permanência, a verdade é que a posição oficial de Cameron sobre a questão pode mudar e só será conhecida quando o encontro em Bruxelas acabar, na sexta-feira (19). Ele se viu obrigado a convocar uma reunião com seus ministros para a noite de sexta e deve ser ali que vai anunciar o que conseguiu ou não conseguiu por parte do bloco. Só então ele deve anunciar em que lado vai ficar: se vai defender que os britânicos continuem ou que saiam da União Europeia.

Qual é exatamente a posição de Cameron?

Foi o próprio Cameron quem decidiu fazer um referendo para os britânicos decidirem se o país fica ou não na União Europeia. O referendo foi uma promessa de campanha quando ele concorria à reeleição, no ano passado. E agora o primeiro-ministro vai ter que convocar o plebiscito até o fim de 2017.

Enquanto muitos membros do Partido Conservador, e até mesmo ministros do gabinete, defendem abertamente a saída dos britânicos, Cameron diz que vai fazer campanha para que o Reino Unido continue na Europa. Mas isso só se as exigências do país forem aceitas pelos outros membros da União Europeia. Cameron nunca revelou exatamente quais as propostas ele quer que o bloco aceite, mas já deu várias pistas sobre isso, principalmente no que se refere a questões de comércio e finanças. Os britânicos querem garantias de que não vão ter que se envolver nos problemas econômicos dos países da zona do euro, nem ter que ajudar nos resgates das economias em crise.

O Reino Unido também quer restringir o acesso de imigrantes europeus a benefícios sociais que o país dá a cidadãos britânicos. Outra exigência é a de que o Parlamento britânico tenha mais autonomia para vetar leis e determinações da União Europeia. Enfim, são propostas que desafiam alguns dos princípios básicos do bloco, como a igualdade de direitos entre todos os cidadãos europeus, por exemplo. Isso explica a tensão entre os países diante desta reunião de dois dias em Bruxelas, que começa na quinta-feira (18).
 

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