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Espanha/Política

Deputados rejeitam Pedro Sánchez como chefe de governo da Espanha

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, durante discurso no parlamento espanhol.
O líder do PSOE, Pedro Sánchez, durante discurso no parlamento espanhol. REUTERS/Sergio Perez

Sem surpresa, os deputados espanhóis rejeitaram na noite desta quarta-feira (2), por ampla maioria, a nomeação do socialista Pedro Sánchez como futuro chefe de governo espanhol. O resultado confirma que o país vive um impasse político de difícil resolução.

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O secretário-geral do Partido Socialista Espanhol (PSOE) obteve 130 votos a favor, dos deputados socialistas e dos centristas do Ciudadanos, e 219 contra, somando os dos partidos conservadores de direita, da esquerda radical (Podemos) e dos independentistas. Um deputado se absteve na votação.

Como prevê a lei, Pedro Sánchez irá submeter sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro uma segunda vez, na próxima sexta-feira (4). Sánchez, um ex-professor de Economia, de 44 anos, foi indicado pelo rei Felipe VI para tentar formar um governo, depois do primeiro-ministro Mariano Rajoy, ter desistido da tarefa.

Diante de um parlamento muito fragmentado entre quatro partidos (PP, PSOE, Podemos e Ciudadanos), um chefe de governo, para assumir o cargo, deve fazer alianças. No entanto, o atual jogo de forças no parlamento não permite uma maioria estável.

Equação difícil

A missão se tornou muito difícil depois das eleições de 20 de dezembro. Os resultados levaram dois novos partidos, Ciudadanos, de centro-direita, e Podemos, da esquerda radical, a entrarem com força no parlamento, impedindo uma maioria clara para os dois partidos tradicionais que se alternaram no poder durante décadas: o PP e o PSOE.

Vencedor da eleição, o PP, de Mariano Rajoy, fracassou na intenção de prorrogar o mandato do atual chefe de governo. O socialista Sánchez também não obteve sucesso em sua primeira tentativa nesta quarta-feira.

Os votos do PP e do Podemos representam bem mais que a maioria absoluta de 176 cadeiras no parlamento. Durante os debates que antecederam a votação, o socialista foi duramente criticado e, segundo seus opositores, apresentou um programa de governo que não agrada nem a esquerda e nem a direita.

Na tribuna, Rajoy qualificou a tentativa de Sánchez de “fraude” e o acusou de querer derrotar as políticas de austeridade que permitiram a retomada da economia da Espanha, que registrou um crescimento do PIB de 3,2% em 2015.

Por outro lado, o líder do partido da esquerda radical Podemos, Pablo Iglesias, criticou o socialista por "tentar consolidar as políticas do PP". Ele ainda acusou Sánchez de desfigurar o Partido Socialista Espanhol.

Parlamento renovado

Nesta quarta-feira, aconteceram os primeiros debates de um parlamento bastante renovado. Dos 350 deputados, 211 são novatos. Muitos deles foram eleitos pela primeira vez e representam os partidos Podemos e Ciudadanos. Eles refletem uma rejeição do eleitorado pela classe política tradicional.

Os deputados do PP, que perderam sua grande maioria conquistada em 2011, ouviram hoje o líder Pablo Iglesias homenagear as vítimas republicanas da Guerra Civil (1936-1939) e ainda lembrar que o partido conservador foi fundado por sete ministros do ditador Francisco Franco.

Já Pedro Sánchez acusa o Podemos de querer “dividir” a Espanha ao defender a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha.

Caso nenhum candidato consiga formar um governo nos próximos dois meses, os eleitores espanhóis deverão voltar às urnas para novas eleições legislativas em 26 de junho.
 

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