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Padre negro deixa paróquia na Alemanha após ameaças xenófobas

Ameaças de morte com motivação xenófoba fizeram com que o sarcedote congolês, Olivier Ndjimbi-Tshiende, mude de igreja na Alemanha.
Ameaças de morte com motivação xenófoba fizeram com que o sarcedote congolês, Olivier Ndjimbi-Tshiende, mude de igreja na Alemanha. Stefan ROSSMANN / dpa / AFP

O padre católico negro congolês Olivier Ndjimbi-Tshiende em Zorneding renunciou seu posto na paróquia de Zorneding, na Baviera, sul da Alemanha, por ter recebido ameaças de morte de motivação xenófoba e por ter sido insultado de "neger" (termo pejorativo para uma pessoa negra) por um político local. O religioso de 66 anos fez o anúncio durante a missa de domingo (6) na igreja St. Martin.

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A polícia está investigando quem enviou as cartas com as ameaças. Em um comunicado da arquidiocese de Munique, Ndjimbi-Tshiende disse que a situação se tornou insustentável - e que ele se sente aliviado com a renúncia -, mas que ele não tem ressentimentos em relação à comunidade.

Ndjimbi-Tshiende assumirá um novo posto em outra localidade a partir de 1º de abril. "Lamentamos muito a demissão e estamos do lado dele", disse o porta-voz do arcebispado de Munique e Freising, Bernhard Kellner. Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, entre as ameaças estava escrito "que te mandem para Auschwitz".

As ameças começaram no final de 2015, quando o padre se posicionou claramente contra declarações xenófobas da então líder da União Social Cristã (CSU) na cidade, Sylvia Boher. O partido só existe na Baviera e é coirmão da União Democrata Cristã, da chanceler Angela Merkel.

"A Baviera está sendo invadida por refugiados"

Numa publicação do partido, Sylvia Boher escreveu que a Baviera está sendo invadida por refugiados. Ela qualificou os imigrantes provenientes da Eritreia como pessoas que só querem fugir do serviço militar.

Depois que o conselho da paróquia desqualificou essas afirmações e Ndjimbi-Tshiende apelou à CSU para que fosse coerente com a doutrina cristã, Johann Haindle, representante da CSU no conselho municipal, insultou o sacerdote, chamando-o de "neger".

Após duras críticas, Boher e Haindl renunciaram aos seus cargos no partido em novembro último. Haindl também saiu do conselho municipal, mas Boher, não.

Ndjimbi-Tshiende, de 66 anos, estava na paróquia de Zorneding desde 2012. Ele vive na Alemanha desde 2005 e possui nacionalidade alemã desde 2011.

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