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Suíça/livro

Livro de economista suíço propõe “fazer as pazes” com o dinheiro

O economista suíço Christian Junod, autor do livro "Ce que l'argent dit de vous".
O economista suíço Christian Junod, autor do livro "Ce que l'argent dit de vous". (Foto: Divulgação)

O economista Christian Junod resolveu mudar de vida em 2009, depois de perder o emprego em um grande banco suíço. Foi nessa época que ele percebeu que sua relação com o dinheiro era nociva e tinha uma má influência em sua vida. Nascia seu primeiro livro “Ce que l’argent dit de vous” (O que o dinheiro diz sobre você, em tradução livre), da editora Eyrolles.

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Tatiana Marotta, em colaboração para a RFI Brasil

A obra propõe conscientizar as pessoas sobre o papel do dinheiro no dia-a-dia. “Minha relação com o dinheiro era antes uma relação de ansiedade. Consegui mudar isso”, diz. “Eu me encontro todos os dias com pessoas que têm medo do fracasso e por isso deixam de viver. Queria ajudá-las a se livrar desse estresse, que na minha opinião é um freio para a felicidade”, declara. Confira a entrevista que ele concedeu à RFI.

No seu livro há um capítulo que se chama “Money attitude”. Como você definiria esse conceito?

Existem três estilos de comportamento em relação ao dinheiro. O primeiro é o que chamo de atitude “esquilo”. São as pessoas que fazem reservas e gastam menos do que ganham. Há uma associação entre dinheiro, segurança e conforto, e isso supre uma carência interna. O segundo estilo de comportamento se chama atitude "sabotadora" – são pessoas que costumam repelir o dinheiro e o acusam de ser responsável por todos os males do mundo. O terceiro é uma mistura dos dois, que chamo de “montanhas russas”. Em certos períodos, a pessoa economiza bastante e, de repente, gasta tudo sem pensar.

Como conselheiro financeiro em um grande banco suíço, você trabalhou com pessoas muito ricas. Tudo o que você viveu durante esse período o alertou sobre os riscos do dinheiro?

No banco onde eu trabalhava, os clientes tinham no mínimo € 250.000 (R$ 1.032.000,00) na conta. Vi pessoas, milionários do mundo inteiro, inclusive brasileiros, que viviam com medo de perder dinheiro, o que gera uma grande ansiedade. O que me fez mudar de vida foi quando meus filhos me chamaram de "pão duro". Eu ganhava muito bem e, apesar de ter um ótimo nível de vida, sempre estava com medo de perder dinheiro. Entendi, usando minha experiência pessoal e profissional, que o comportamento em relação ao dinheiro é, às vezes, totalmente irracional.

Costumamos dizer que o dinheiro não traz felicidade mas contribui muito. A partir de quando o dinheiro se torna nocivo?

O dinheiro é apenas um ingrediente para a felicidade. Em si, ele é insuficiente. Mas pode levar à felicidade porque traz conforto e possibilita a realização de projetos. No início, o dinheiro foi criado apenas para ser um meio, um intermediário entre as trocas. O que posso dizer é que me sinto bem mais feliz agora, sem saber quanto ganharei este ano. É importante entender que o momento é apenas um instrumento. O dinheiro deve ser visto como uma consequência de um sucesso ou um ingrediente, e nunca como um objetivo em si.

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