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Áustria poderá ter primeiro chefe de Estado de extrema-direita da UE

Norbert Hofer, do Partido Liberal da Áustria (FPÖ), venceu o primeiro turno da eleição presidencial com 35% dos votos no último domingo (15).
Norbert Hofer, do Partido Liberal da Áustria (FPÖ), venceu o primeiro turno da eleição presidencial com 35% dos votos no último domingo (15). REUTERS/Heinz-Peter Bader

O novo chanceler austríaco, Christian Kern, do Partido Social-Democrata (SPÖ), tomou posse nesta terça-feira (17) à frente de uma coalizão governamental há nove anos no poder e incapaz de conter o avanço da extrema-direita, dada como favorita na eleição presidencial do próximo domingo (22). Dentro deste contexto, o candidato da extrema-direita austríaca, Norbert Hofer, do Partido Liberal da Áustria (FPÖ), já é tido como favorito para a eleição presidencial no país. Caso as previsões se confirmem, a Áustria se tornará o primeiro país da União Europeia (UE) a ser comandado por um chefe de Estado originário da extrema-direita.

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O novo chanceler Christian Kern, de 50 anos, foi empossado formalmente pelo presidente da Áustria, Heinz Fischer, no fim da tarde desta terça-feira. Kern, que dirigia até então a companhia ferroviária nacional, terá como missão reagrupar o SPÖ, do qual ele também assume a liderança, e dar nova vida à coalizão com os conservadores do ÖVP.

Os dois partidos, que vinham renovando uma aliança política desde 2007, sofreram um revés sem precedentes no primeiro turno da eleição presidencial, em 24 de abril, quando seus dois candidatos foram eliminados.

Norbert Hofer, o candidato da extrema-direita austríaca, venceu o primeiro turno da eleição presidencial com 35% dos votos. Ele vai enfrentar, no segundo turno, o ex-chefe do Partido Ecologista, Alexander Van der Bellen (21,3%).

Migração, xenofobia e interesses políticos discutíveis

Heinz-Christian Strache, chefe do Partido Liberal da Áustria, acredita que seu país se encontra “face à uma nova era política”. Suas posições são claras: ceticismo em relação ao projeto europeu e xenofobia em relação à questão migratória. Seu partido compartilha da mesma posição dos países do grupo Visegrad (Polônia, Hungria, Eslováquia e República Tcheca), que recusam, entre outras coisas, a instauração de uma cota de migrantes.

Segundo Strache, Viena recebeu cerca de 90 mil pedidos de asilo em 2015. Para o líder do FPO, a culpa seria da chanceler alemã Angela Merkel, que classificou como uma “passadora de migrantes de Estado”.

Para Alexander Van der Bellen, do Partido Ecologista, seu rival nas presidenciais de domingo (22), Norbert Hofer, é apenas uma “marionete” de Heinz-Christian Strache, líder dos radicais de extrema-direita. Van der Bellen acredita que o principal objetivo de Strache é se tornar chanceler antes mesmo das eleições legislativas, previstas para 2018.

Enquanto isso, um provável novo presidente de extrema-direita poderia exigir de participar do Conselho Europeu no lugar do atual chanceler Christian Kern. “Ao lado de Hofer, [o primeiro-ministro húngaro] Viktor Orbán é um ursinho de pelúcia”, afirmou Christian Rainer, editor-chefe do jornal austríaco liberal Profil.

Os desafios em jogo

Uma possível coabitação com um presidente de extrema-direita é apenas um dos desafios hercúleos do novo chanceler Christian Kern, considerado um novato no comando do executivo e que nunca ocupou um cargo de ministro. O duelo se anuncia bastante apertado. Uma vitória de Norbert Hofer poderia relançar as cartas da política austríaca e cravar uma marca importante numa Europa balançada por populismos extremistas.

O novo chanceler Christian Kern, no entanto, conta com uma boa popularidade entre os austríacos, com 42% de opiniões favoráveis. Sua gestão do transporte e a assistência dada às centenas de milhares de migrantes, em 2015, foram aplaudidas por sua eficácia e humanidade.

 

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