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Crime/Referendo

Acusado de matar deputada diz 'morte aos traidores' em tribunal no Reino Unido

Britânicos depositam flores e velas em homenagem a Jo Cox na praça do Parlamento, em Londres.
Britânicos depositam flores e velas em homenagem a Jo Cox na praça do Parlamento, em Londres. REUTERS/Stefan Wermuth

O britânico Thomas Mair, indiciado ontem pelo assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, compareceu neste sábado (18) ante o Tribunal de Westminster, em Londres. Quando o juiz pediu a ele para pronunciar sua identidade, o suspeito respondeu: "Meu nome é morte aos traidores e liberdade para o Reino Unido".

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O tom provocador de Mair no tribunal de Westminster, onde ocorrem processos de terrorismo, confirma as revelações da imprensa local de que ele seria um extremista de direita e teria cometido um crime político. Mair, de 52 anos, será processado por homicídio, violência com agravante e posse de arma, entre outras acusações. Jo Cox, de 41 anos, que defendia a permanência do Reino Unido na União Europeia, foi baleada e esfaqueada na quinta-feira (16), quando saía de seu comitê no norte da Inglaterra.

A justiça britânica busca esclarecer as ligações de Mair com a extrema-direita e se ele tem antecedentes psiquiátricos, como sugeriram conhecidos em depoimentos à polícia. Na casa do suspeito, foram encontrados panfletos nazistas, instruções para fabricação de explosivos e indícios de ligação com movimentos de extrema-direita, incluindo o britânico "Britain First". De acordo com a legislação britânica, após o indiciamento do acusado, a imprensa não poderá mais divulgar elementos do inquérito.

Campanha política violenta incitou a intolerância

Na segunda-feira, o Parlamento britânico fará uma sessão extraordinária em homenagem à deputada morta. O ato, "a favor da democracia, contra o ódio e a intolerância", segundo o líder trabalhista Jeremy Corbyn, acontecerá a quatro dias do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, marcado para dia 23. A campanha segue suspensa até domingo em respeito à memória de Cox. Analistas e políticos têm condenado o tom violento da campanha pelo "Brexit", como é chamada a opção pela saída.

Ontem, o primeiro-ministro David Cameron e o líder trabalhista Jeremy Corbyn visitaram a cidade de Birstall (norte), onde Cox foi brutalmente assassinada. Ela cumpria seu primeiro mandato parlamentar, depois de trabalhar durante vários anos em grandes organizações humanitárias. Cameron se referiu à deputada como "um dos membros mais brilhantes e apaixonados" do Partido Trabalhista. Ela era casada e tinha dois filhos, um menino e uma menina de 3 e 5 anos. O presidente americano, Barack Obama, telefonou ao marido da parlamentar para apresentar suas condolências e condenar o crime hediondo.

O assassinato, ocorrido a uma semana do referendo, gera emoção e indignação no Reino Unido. Milhares de britânicos têm depositado velas e flores diante do Parlamento britânico.

Neste sábado, o jornal The Times publicou um editorial defendendo a permanência do Reino Unido na União Europeia. O Financial Times e a revista The Economist já tinham se posicionado contra o Brexit. Segundo o Times, a saída do Reino Unido do bloco teria "um resultado negativo importante sobre a economia britânica". O Fundo Monetário Internacional (FMI) também adverte contra o risco de uma recessão no país no ano que vem. 

Em entrevista ao Le Monde, o ministro da Economia da França, Emmanuel Macron, afirmou que a saída dos britânicos levaria o país ao isolamento.

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