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União Europeia/ brexit

Europa aguarda ansiosa por plebiscito no Reino Unido

Em Bruxelas, jovens fazem campanha pela permanência dos britânicos na União Europeia.
Em Bruxelas, jovens fazem campanha pela permanência dos britânicos na União Europeia. REUTERS/Eric Vidal

Diante das consequências diretas que sofreria em caso de vitória da ruptura do Reino Unido com o bloco europeu, a Europa aguarda ansiosa pelos resultados do plebiscito, que ocorre nesta quinta-feira (23). Apesar dos números controversos das pesquisas de intenções de voto nos últimos dias, os europeus se apegam ao otimismo indicado pelos mercados financeiros quanto à permanência dos britânicos na UE e parecem confiar que, no fim, tudo não terá passado de um susto.

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O clima de apreensão foi reforçado pelo fato de que nenhuma pesquisa de boca de urna foi divulgada durante o dia, assim como nenhum resultado parcial da votação. Qualquer que seja a escolha dos britânicos, o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, já combinaram de realizar uma reunião bilateral sobre o futuro da Europa, na segunda-feira (27), em Berlim.

Nesta quinta-feira, em Estrasburgo, Hollande declarou que independentemente do resultado, “será necessário promover o relançamento da construção europeia”, mas não “só mais um plano”, dando a entender que uma reflexão profunda sobre o bloco deve ocorrer, incluindo questões polêmicas como a segurança, a defesa e a proteção das fronteiras da UE. Hollande acrescentou que hoje “é um grande dia para a Europa, porque ela necessariamente vai mudar, qualquer que seja o voto britânico”. Na véspera, Merkel tinha sinalizado na mesma direção.

Ao longo da campanha, os líderes europeus se esforçaram para convencer o Reino Unido a não abandonar a União Europeia, idealizada há 60 anos. O maior risco é que uma eventual saída do Reino Unido gere um efeito dominó em outros países onde os movimentos “eurocéticos” se reforçam, inclusive na própria França. A retirada dos britânicos poderia significar o início da fragmentação do bloco, tão desejada por partidos de extrema-direita e extrema-esquerda.

Mercados não têm dúvida: britânicos ficam

A pesquisa de intenções de voto mais recente, publicada nesta manhã, dá vitória para o “Remain” (“continuar” na União Europeia), com uma vantagem de quatro pontos percentuais sobre o “Leave” (“sair”).

Por conta da estimativa, a moeda britânica, libra esterlina, se valorizou ao ponto mais alto dos últimos seis meses, em relação ao dólar. As bolsas europeias encerraram o dia em alta, como a de Londres, que fechou em 1,23%, e a de Paris, com elevação de 1,96%. A alternativa da permanência dos britânicos é a que mais reuniu adeptos também nas bolsas de apostas.

A forte movimentação nos locais de votação indica que o índice de participação no plebiscito deve ser alto, apesar do mau tempo registrado em boa parte do Reino Unido, inclusive em Londres. Analistas avaliam que, em caso de comparecimento elevado às urnas, o campo a favor da permanência dos britânicos no bloco europeu sairia favorecido.

As incertezas, porém, vão durar até o fim, uma vez que o percentual de indecisos é estimado em pelo menos 10% - e eles poderiam definir o resultado.

Os primeiros dados oficiais só serão divulgados depois do fechamento das seções de votação, às 22h no horário local (18 horas em Brasília). Mas os números finais do plebiscito serão conhecidos apenas no final da madrugada de sexta-feira (24). No total, 46,5 milhões de eleitores devem responder à seguinte pergunta: "O Reino Unido deve permanecer como membro da União Europeia ou abandonar a União Europeia?".

Pedidos para britânicos ficarem também tiveram humor

Diante da tensão à espera do resultado do referendo, os europeus também apelaram para o humor. O jornal alemão Bild prometeu “acabar com as piadas sobre as orelhas do príncipe Charles”, se o Reino Unido escolher ficar no bloco. “Por solidariedade às suas queimaduras de sol, nós pararemos de usar protetor solar” e “vamos oferecer um personagem malvado para todos os próximos James Bond”, continuou o diário.

Já os franceses organizaram “uma operação croissant” na estação de trem de Londres onde desembarcam os trens que chegam de Paris. Jovens distribuíram a famosa iguaria francesa e cartões postais da França para convencer os britânicos a continuarem fazendo parte da comunidade europeia.

Na noite de quarta-feira (22), diversas cidades europeias projetaram as cores do Reino Unido – vermelho, azul e branco – em monumentos, como em Viena (Áustria), Madri (Espanha) e Varsóvia (Polônia). A réplica da estátua de Davi, de Michelangelo, em Florença (Itália), também foi coberta pela famosa bandeira britânica.

Com informações da AFP
 

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