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Plebiscito sobre saída da UE divide britânicos

Capa dos jornais franceses desta quinta-feira destaca o referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia
Capa dos jornais franceses desta quinta-feira destaca o referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia RFI

A imprensa francesa em peso analisa nesta quinta-feira (23) o plebiscito histórico sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia. O Brexit, contração em inglês de britain (britânico) e exit (saída), é a principal manchete dos jornais nacionais que ressaltam que a votação dividiu os eleitores. O resultado é incerto.

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Le Parisien e Le Figaro escolheram a mesma manchete, “Brexit or not Brexit”, fazendo um trocadilho com a célebre frase de "Hamlet", de Shakespeare, "To be or not to be" (ser ou não ser). Mais de 46 milhões de eleitores britânicos votam hoje.

A Europa inteira está de olho no Reino Unido e aguarda com expectativa o resultado da votação que terá um grande impacto, escreve Le Parisien. O suspense é total. As últimas pesquisas divulgadas na quarta-feira (22) indicam uma mínima vantagem dos pró-Brexit, mas a porcentagem de indecisos, cerca de 10%, e a forte mobilização dos pró-europeus podem modificar o resultado, diz o diário.

Se os britânicos votarem pela saída do bloco, o divórcio será inédito e definitivo, previne Le Figaro. O Brexit será um quebra cabeça jurídico e político para Londres que terá que adotar novas leis sobre a regulação financeira, a concorrência, a agricultura, normas sanitárias e remédios, condições de trabalho... A União Europeia não vai negociar e daqui a dois anos, prazo final para a Reino Unido deixar o bloco, os 65 milhões de britânicos vão viver à margem da legislação do continente, salienta o jornal.

Futuro do Reino Unido em jogo

O que está em jogo é o futuro de uma nação, acredita Les Echos. O jornal econômico analisa que, independentemente do resultado, a sucessão do primeiro-ministro David Cameron já está aberta.

Partidário da permanência do país no bloco europeu, o premiê convocou o referendo e dramatiza as consequências negativas do Brexit para tentar mobilizar os eleitores. Mas a campanha dividiu a maioria conservadora no poder e as consequências do referendo são mais que incertas, segundo Les Echos.

Nacionalismo X União Europeia

Libération fez um suplemento especial sobre o plebiscito, com uma dupla capa. De um lado, quem é a favor de ficar, do outro, quem é contra. Libé explica em editorial que duas nações se enfrentam hoje e, por isso, o diário resolveu ouvir os dois lados.

A imagem mais marcante dos pró-Brexit e um dos principais motores da campanha pela saída do bloco é a do líder do partido nacionalista Ukip, Nigel Farage, diante de uma coluna de refugiados que marcham em direção à Europa. No entanto, o jornal ressalta que não é possível esquecer os erros da União Europeia, que não sabe mais falar ao povo.

Uma eventual saída do Reino Unido seria a oportunidade de reformar o bloco, sem a incessante oposição de Londres e sua política liberal. A Europa poderia ganhar em solidez o que ela perderia em tamanho, relativiza o diário progressista. Mas a vitória do sim seria um exemplo e um precedente perigoso que encorajaria o nacionalismo, um veneno que tem como antidoto justamente a Europa, ensina Libération.

 

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