Acessar o conteúdo principal
Europa/ referendo

Extrema-direita festeja o “Brexit” e Le Pen pede “Frexit” na França

Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita da França Frente Nacional, durante coletiva na sede do partido em Nanterre, perto de Paris, após referendo da Grã-Bretanha (24 de junho de 2016).
Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita da França Frente Nacional, durante coletiva na sede do partido em Nanterre, perto de Paris, após referendo da Grã-Bretanha (24 de junho de 2016). REUTERS/Jacky Naegelen

Líderes de extrema-direita europeus vivem um dia de glória, depois que o Reino Unido decidiu se retirar da União Europeia, no plebiscito ocorrido nesta quinta-feira (23). Na França, a presidente do partido Frente Nacional, Marine Le Pen, pediu o “Frexit”, uma analogia em francês ao apelido dado à saída dos britânicos do bloco europeu, “Brexit”. Desilusão com a UE também atinge movimentos de esquerda radical.

Publicidade

A expectativa dos chamados “eurocéticos”, que condenam a burocracia e as ingerências de Bruxelas nas políticas nacionais e a abertura das fronteiras, é de que o voto britânico abra caminho para um amplo processo de fragmentação do bloco europeu. A UE foi idealizada há 60 anos e, nas últimas décadas, apenas se ampliou. O Reino Unido é o primeiro integrante a pedir a ruptura com os parceiros.

Na França, a Frente Nacional foi o único partido a fazer campanha aberta a favor do Brexit. Nesta sexta-feira (24), Marine Le Pen comemorou. “Vitória da liberdade! Como peço há vários anos, é necessário o mesmo referendo na França e nos demais países da UE", escreveu a presidente da Frente Nacional (FN), no Twitter.

Em uma entrevista, o vice-presidente da sigla, Florian Philippot, declarou que a votação na França deve ocorrer “o mais rapidamente possível”. “A liberdade dos povos sempre acaba ganhando”, disse, sorridente.

No outro extremo do espectro político francês, o líder do partido Partido de Esquerda, Jean Luc Mélenchon, voltou a pedir “a saída dos tratados europeus” pelos franceses. Na avaliação dele, se a Europa não mudar, é preciso “deixá-la”. “Mais do que nunca, o interesse do nosso país é por uma política de cooperação com o velho continente e com o mundo, em vez do livre comércio e da concorrência livre”, afirmou.

“A ideia de uma União Europeia foi morta pela casta de eurocratas e as políticas de austeridade impostas pelo governo alemão, com a cumplicidade de dois presidentes franceses que, desde 2005, violaram o voto do nosso povo”, explicou Mélenchon, em referência ao referendo realizado na França sobre a Constituição europeia, no qual os franceses recusaram a Carta – que, por conta deste voto, foi abandonada.

Uma pesquisa publicada hoje pelo instituto Odoxa revela que dois terços dos franceses desejam que a França continue na União Europeia. A sondagem realizada nos dias 23 e 24 de junho mostra que 35% dos entrevistados defendem uma retirada do país do bloco. A permanência é a melhor opção tanto para os simpatizantes de esquerda (75%) quanto de direita (75%). Já o processo político da construção europeia inspira menos confiança: 31% dos franceses ouvidos na pesquisa veem a União Europeia como uma fonte de esperança, enquanto 35% consideram o bloco como "uma fonte de preocupação".

Na Holanda, “Nexit” ganha força

Na Holanda, é a vez do clamor pelo “Nexit” (de “Netherlands” e “exit”). O líder da extrema-direita holandesa, deputado Geert Wilders, também exigiu uma consulta popular sobre o tema. "O povo holandês merece um referendo. Por isso, o Partido da Liberdade exige um plebiscito sobre a saída da Holanda da União Europeia", declarou Wilders, em um comunicado.

"Queremos estar a cargo do nosso próprio país, queremos nosso próprio dinheiro, nossas fronteiras e nossa política de imigração. Se eu fosse o primeiro-ministro, teríamos um referendo na Holanda sobre a saída da União Europeia. Que o povo holandês decida", argumentou. Pesquisas recentes indicam que cerca de 55% dos holandeses esperavam a vitória do “Brexit” no Reino Unido e 47% gostariam que um plebiscito semelhante fosse realizado no país.

No Reino Unido, o personagem que estampa todos os jornais nesta sexta-feira é Nigel Farage, líder do partido independentista Ukip. O populista declarou que a Europa está morrendo. "Espero que tenhamos derrubado o primeiro tijolo do muro e que este seja o primeiro passo de uma Europa de nações soberanas". O eurocético pediu a formação de um governo de ruptura que "deve negociar o mais rapidamente possível a saída do Reino Unido da União Europeia".

Movimentos de esquerda se unem a eurocéticos

Já na Grécia, na Espanha ou na Itália, partidos e movimentos de esquerda radical que conquistam cada vez mais espaço oscilam entre a separação da União Europeia e uma renegociação profunda das regras em vigor no bloco. Desta forma, o grego Syriza, o espanhol Podemos e o italiano Cinco Estrelas (M5S) não chegaram a se posicionar em favor do “Brexit”, mas aproveitam a ocasião para pedir mudanças na comunidade europeia.

O Cinco Estrelas, que acaba de conquistar várias prefeituras italianas, incluindo a capital, Roma, propôs nesta semana um referendo sobre o euro. “O euro, tal como existe hoje, não funciona. Ou nós estabelecemos uma nova moeda, ou nós criamos uma espécie de euro 2”, disse Luigi Di Maio, membro do M5S e vice-presidente da Câmara de Deputados, na quarta-feira (22).
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.