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Linha Direta

Processo de escândalos financeiros no Vaticano entra na reta final

Áudio 05:13
(E-d): jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, a consultora Francesca Chaouqui e Dom Lúcio Anjo Vallejo Balda, durante julgamento no tribunal do Vaticano. 24 de Novembro de 2015.
(E-d): jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, a consultora Francesca Chaouqui e Dom Lúcio Anjo Vallejo Balda, durante julgamento no tribunal do Vaticano. 24 de Novembro de 2015. OSSERVATORE ROMANO / AFP

O processo sobre a divulgação de escândalos financeiros no Vaticano, chamado Vatileaks 2, esta semana entra na reta final. As três últimas audiências acontem entre hoje e quarta-feir. Cinco pessoas são acusadas de divulgar informações secretas da Santa Sé, entre eles dois jornalistas e um sacerdote espanhol Lucio Ángel Vallejo.

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Gina Marques, correspondente da RFI Brasil em Roma

O processo Vatileaks 2 julga cinco réus e começou em novembro do ano passado, depois da divulgação de documentos secretos que revelaram a má gestão das finanças do Vaticano e a corrupção na Cúria Romana. Cerca de 80% das doações, por exemplo, seriam usadas para manter o estilo de vida luxuoso dos cardeais. Estes documentos foram publicados nos livros de dois jornalistas investigativos, “Via Crucis”, de Gianluigi Nuzzi, e “Avareza" de Emiliano Fittipaldi.

Os jornalistas são acusados de "divulgação ilícita" de documentos confidenciais. Já o sacerdote espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda, próximo da Opus Dei, e a consultora de comunicação italiana Francesca Immacolata Chaouqui e Nicola Maio, colaboradora de Balda, são acusados de formação de quadrilha com o objetivo de divulgar notícias e documentos sigilosos graças ao cargo que exerciam no Vaticano.

Os dois faziam parte de uma comissão encarregada de propor reformas no funcionamento do sistema financeiro da Igreja, entre 2013 e 2014, e tiveram acesso aos documentos. É importante lembrar também que foi o papa Francisco, em julho de 2013, que introduziu na legislação do Vaticano que a divulgação de documentos confidenciais "contra a segurança do Estado" é um crime. A punição prevista é de 4 a 8 de anos de prisão.

O Vaticano não desmentiu nenhuma das informações publicadas nos livros. Uma das críticas envolve a defesa no processo, considerada medieval, porque admite só advogados do Vaticano e o acusado não pode nomear seu próprio defensor. A Santa Sé nunca aderiu à Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos Humanos. Na prática, ainda é um mistério o que pode acontecer com os réus caso forem condenados.

Consultora pede julgamento na Justiça italiana

Francesca Chaouqui argumenta que o crime do qual ela é acusada foi cometido em território italiano e fora da jurisdição da justiça do Vaticano. A sua defesa pediu que ela fosse julgada na Itália como "refugiada política", mas o Tribunal do Vaticano não acatou o pedido. Já o sacerdote Vallejo Balda confessou ter entregue os documentos aos jornalistas, mas disse que divulgou essas informações confidenciais porque foi seduzido pela Chaoqui. Segundo o padre, a consultora é uma manipuladora, que o obrigou a divulgar os documentos. Francesca Chaouqui negou e disse que teve apenas uma relação profissional com o religioso.

Primeiro escândalo envolveu rede de corrupção

O primeiro escândalo em 2012 revelou a existência de uma ampla rede de corrupção, nepotismo e favoritismo com contratos a preços inflacionados dentro do Vaticano com os seus parceiros italianos. Neste processo o mordomo do papa Bento XVI, Paolo Gabriele foi condenado em outubro a três anos de prisão por roubo de documentos. A pena foi reduzida a um ano e meio e até que em dezembro Bento XVI lhe concedeu o perdão. O outro acusado, o engenheiro de informática Claudio Sciarpelletti, teve a pena de dois meses de prisão suspensa.
 

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