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Linha Direta

Theresa May deve recrutar mulheres para cargos importantes no Reino Unido

Áudio 05:04
Theresa May, a nova premiê britânica, em imagem de 11 de julho de 2016.
Theresa May, a nova premiê britânica, em imagem de 11 de julho de 2016. REUTERS/Andrew Yates/File Photo

Quase três semanas depois da decisão de deixar a União Europeia e de muitas incertezas no cenário político, o Reino Unido assiste, nesta quarta-feira (13) , à posse da nova primeira-ministra, Theresa May.

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Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Theresa May assume o lugar deixado por David Cameron e deve conduzir o país no processo de saída do bloco europeu.  A posse de May nesta quarta-feira (13) era algo impensável a menos de uma semana atrás, quando o Partido Conservador ainda estava decidindo quem seriam os candidatos a líder a serem escolhidos em setembro. O país assistiu a uma série de reviravoltas nestas últimas três semanas, desde a vitória no referendo do chamado Brexit. Primeiramente, com o próprio resultado do referendo, e, depois, com a renúncia do primeiro-ministro David Cameron, seguida pela novela dentro do Partido Conservador sobre quem assumiria a liderança. Uma novela que teve direito a traições, alianças e intrigas de todo tipo.

No fim da semana passada, estava decidido que o partido deveria escolher entre Theresa May, ministra do Interior do governo Cameron e principal favorita ao cargo, e Andrea Leadsom, ministra da Energia e uma figura até então praticamente desconhecida do eleitorado. Mas as declarações de Leadsom de que ela seria melhor para o país "por ser mãe", enquanto Theresa May não tem filhos, acabaram pegando muito mal publicamente e Leadsom acabou abandonando a candidatura.

David Cameron faz sua última rodada semanal de debates no Parlamento e, em seguida, entrega sua renúncia à rainha Elizabeth II, uma formalidade tradicional da política britânica. Horas depois, Theresa May fará sua primeira visita à rainha e entrará pela porta da frente do número 10 de Downing Street, tendo pela frente uma série de desafios, principalmente os de conduzir um país dividido e um partido dividido em um momento de grande turbulência política e econômica.

Perfil da nova premiê britânica

Theresa May é a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do Reino Unido, após Margaret Thatcher. Assim como Thatcher, May vem de uma família de classe média, estudou em escolas públicas e traçou um caminho discreto mas firme dentro do Partido Conservador até chegar à liderança. Ela tem 59 anos e é casada há 36 anos com o executivo Philip May, que é diretor de um grande fundo de investimentos na City de Londres. O casal nunca teve filhos.

Theresa May serviu como ministra do Interior de Cameron, uma pasta que ganhou importância nestes últimos anos diante de questões como o combate ao terrorismo, a ascensão do Estado Islâmico, a crise dos refugiados sírios e a imigração de maneira geral. Ela defendeu que os serviços de segurança tenham mais acesso a informações pessoais e comunicações dos cidadãos, e também adotou medidas para tentar reduzir o fluxo de imigrantes para o país.

A imprensa britânica especula que May deve trazer mais mulheres para seu gabinete, inclusive para cargos mais importantes do governo, como o de ministro do Exterior ou até ministro das Finanças. Theresa May fez campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia, mas disse que vai respeitar o resultado do referendo realizado em junho.

May declarou que as negociações oficiais com o bloco europeu sobre a saída do país só devem começar no fim deste ano. A nova premiê defende um modelo em que o Reino Unido mantenha o acesso aos produtos e serviços da comunidade europeia, mas com restrições ao trânsito de cidadãos. Por fim, ela descartou a possibilidade de convocar novas eleições gerais antes de 2020.

A oposição trabalhista

A crise política britânica também atingiu em cheio o Partido Trabalhista, o principal partido da oposição. O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, foi bastante criticado internamente após o referendo que decidiu o Brexit, acusado de ter feito muito pouco para defender a permanência do Reino Unido na União Europeia. Os parlamentares trabalhistas fizeram um voto de não-confiança em Corbyn, o que abriu caminho para que sua liderança seja disputada.

Nestes últimos dias, outros trabalhistas se apresentaram como candidatos ao posto na convenção geral marcada para setembro. Além de Corbyn, que conseguiu por enquanto uma nomeação automática para a disputa, devem concorrer ao cargo Angela Eagle e Owen Smith, ambos ex-integrantes do gabinete paralelo de Corbyn. Todos os parlamentares trabalhistas e outros membros do partido, cidadãos comuns que tiverem se afiliado desde janeiro, terão direito a votar pelo líder em setembro.

 

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