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Linha Direta

Europeus desistem de impor sanções adicionais contra a Rússia

Áudio 04:47
A cúpula de Bruxelas contou pela primeira vez com a participação da primeira-ministra britânica, Theresa May.
A cúpula de Bruxelas contou pela primeira vez com a participação da primeira-ministra britânica, Theresa May. REUTERS/Francois Lenoir

Reunidos em Bruxelas, os líderes europeus desistiram de impor sanções adicionais contra a Rússia pelo apoio ao regime sírio nos ataques de Aleppo. Na declaração final do encontro, encerrado nesta sexta-feira (21), a União Europeia (UE) apenas condenou os ataques e pediu o fim das hostilidades. A reunião de cúpula contou pela primeira vez com a participação da primeira-ministra britânica, Theresa May. 

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O plano de Bruxelas de ameaçar a Rússia não foi aprovado por falta de unanimidade, principalmente da Itália. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que os líderes europeus têm a noção de que “a estratégia da Rússia é enfraquecer a União Europeia”. Mesmo assim, durante o jantar de trabalho, França, Alemanha e Reino Unido não conseguiram convencer todos os governos a adotarem uma posição mais firme contra Moscou.

No momento, as sanções adicionais estão suspensas, mas na declaração final do encontro, a UE alerta estar aberta para avaliar todas as opções possíveis de medidas, se as atrocidades continuarem. Para a Europa, a intensidade e a escalada dos bombardeios em Aleppo são desproporcionais e têm atingido deliberadamente civis, hospitais, escolas e outras infraestruturas essenciais.

Na semana passada, os chanceleres do bloco enfatizaram que as bombas de fragmentação e armas químicas usadas em Aleppo podem ser consideradas crimes de guerra e julgados pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. De acordo com a ONG britânica Observatório Sírio de Direitos Humanos, as forças sírias, que contam com o apoio de Moscou, mataram e feriram cerca de 2.700 pessoas em Aleppo desde o mês passado.

May defende Europa Unida, mas reafirma Brexit

Além das difíceis relações com a Rússia, outro destaque em Bruxelas foi participação da primeira-ministra britânica, Theresa May, em um Conselho Europeu. Três meses após assumir o cargo, May cumpriu as expectativas ao defender a posição do Brexit adotada pelo Reino Unido, mas defendeu uma Europa unida. “Vamos continuar a desempenhar plenamente o nosso papel até sairmos” prometeu a líder do Partido Conservador britânico, sem dar detalhes sobre como será o processo de desligamento do país.

Em Bruxelas, os líderes europeus reafirmaram não haver espaço para qualquer negociação sobre as condições de saída sem que o governo britânico evoque o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que inicia o processo de separação. A intenção de May é acioná-lo em março do próximo ano, para que o país deixe definitivamente do bloco em 2019.

Sobre as especulações de que o Reino Unido poderia realizar um segundo referendo sobre o Brexit, a premiê britânica foi clara e direta. Não há uma mudança de opinião sobre o Brexit, nem haverá um segundo referendo no Reino Unido. Com esta mensagem, May colocou um ponto final em todas as especulações.

O Brexit não constava oficialmente na agenda do encontro, que discutiu imigração, comércio e as relações com a Rússia. Porém, vários líderes europeus estavam interessados em saber se os britânicos iriam continuar a ter acesso ao mercado único após deixar o bloco, apesar da promessa do Reino Unido em retomar o controle da imigração.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, avisaram que as negociações para a saída do Reino Unido do bloco serão difíceis se o governo britânico insistir em um processo intransigente e sem concessões.

Condições de saída do Reino Unido continuam nebulosas

May deixou Bruxelas sem se aprofundar em detalhes sobre a questão de como será a relação entre Reino Unido e UE após o término das negociações do Brexit. No entanto, a líder britânica garantiu que “continuaremos a ser um parceiro forte e confiável depois de sairmos”. A declaração sinaliza a intenção do país de permanecer próximo de Bruxelas, mas ainda não define como será o futuro relacionamento entre os britânicos e o bloco, principalmente no que diz respeito à circulação de pessoas, bens e serviços no mercado comum europeu.

Considerada uma negociadora firme, a tarefa de May será encontrar um equílibrio entre freiar a imigração – seu plano é diminuir em um terço a entrada de imigrantes limitando a menos de 100 mil por ano – e obter pelo menos um acesso parcial para o Reino Unido no mercado comunitário. Para o bloco europeu, Londres dificilmente vai conseguir acesso ao mercado único se não ceder na liberdade de circulação de pessoas.

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