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Países baleeiros barram a construção de santuário no Atlântico Sul

Cachalotes (foto) e baleias fin, azuis, jubarte e minke são as mais afetadas pela caça.
Cachalotes (foto) e baleias fin, azuis, jubarte e minke são as mais afetadas pela caça. Wikipedia

Os países baleeiros derrotaram nesta terça-feira (25) mais uma tentativa de seus homólogos no hemisfério sul de criar um santuário no Atlântico Sul para proteger as baleias da caça comercial, atividade que quase provocou a extinção da espécie no século 20.

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 A proposta da criação do santuário, uma iniciativa conjunta de Argentina, Brasil, Uruguai, Gabão e África do Sul, precisava de 75% dos votos para ser aprovada, mas recebeu apenas 38 votos a favor de um total de 64 na 66ª reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI), realizada em Portoroz, na Eslovênia.

As organizações de defesa do meio ambiente criticaram a nova derrota de uma iniciativa que já havia sido rejeitada em anos anteriores. "Com todos os problemas enfrentados atualmente pelas populações de baleias, devastadas pela pesca comercial, fica claro que a espécie precisa de uma zona de proteção onde possa não apenas sobreviver, como também voltar a se recuperar e a se desenvolver ", defendeu John Frizell, especialista em cetáceos do Greenpeace.

"O mais decepcionante é que todos os esforços em última instância foram derrotados por membros da Comissão Baleeira Internacional que estão a milhares de quilômetros de distância do hemisfério sul, alguns inclusive no outro extremo do planeta", completou o especialista. Os países que defenderam a proposta têm investimentos na área do turismo de observação de baleias. Já países como o Japão, Noruega e Islândia, famosos pela caça às baleias, lideraram a oposição à medida.

A ideia do santuário consiste em criar um espaço de 20 milhões de quilômetros quadrados para as espécies de baleias ameaçadas de extinção. A maior ameaça continua sendo a caça destinada à exploração de sua carne, óleo e gordura, atividade que se desenvolveu ao longo do século 20. A iniciativa foi apresentada pela primeira vez em 2001 e desde então foi rejeitada de maneira regular nas reuniões da CBI.

Para salvar as baleias da extinção

Os países que defendem a criação do santuário afirmam que 71% das três milhões de baleias caçadas no mundo entre 1900 e 1999 foram capturadas no hemisfério sul. Cachalotes e baleias fin, azuis, jubarte e minke foram as espécies mais afetadas, de acordo com os defensores da iniciativa.

Várias espécies apenas começam a se recuperar graças à proibição mundial imposta há 30 anos da caça comercial às baleias, que, no entanto, contempla exceções. De acordo com texto da proposta rejeitada, a criação de um santuário teria promovido "a biodiversidade, a conservação e a utilização não letal dos recursos baleeiros no oceano Atlântico Sul".

"É muito decepcionante que, mais uma vez, a proposta de santuário no Atlântico Sul tenha sido derrubada com um arpão", lamentou Matt Collins, da organização International Fund for Animal Welfare. "Um santuário nesta região teria fornecido proteção a uma ampla gama de espécies de golfinhos e baleias", afirmou.

Apesar de não existirem informações atualizadas sobre a caça de baleias no Atlântico Sul, o representante do Brasil na CBI, Hermano Ribeiro, disse à AFP que o santuário teria representado "um certo tipo de segurança". "Quem pode nos garantir que, se uma espécie em particular começar a desaparecer (em outras regiões), os baleeiros, por razões científicas, não virão ao Atlântico Sul? Queremos evitar isso.”

De acordo com cálculos do setor, a indústria de observação de baleias gera US$ 2 bilhões por ano e emprega 13 mil pessoas ao redor do mundo.

 

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