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Clima/UE

Estudo mostra que Europa terá dificuldade para cumprir meta climática

Torres de resfriamento de uma usina termoelétrica alemã a carvão, um combustível fóssil nocivo para a atmosfera.
Torres de resfriamento de uma usina termoelétrica alemã a carvão, um combustível fóssil nocivo para a atmosfera. Kopczynski/File Photo

A União Europeia (UE), apesar de alguns progressos, não está no caminho certo para cumprir suas metas de redução dos gases do efeito estufa responsáveis pelas mudanças climáticas. A conclusão é de um estudo coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri), divulgado nesta terça-feira (8) em Paris.

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O documento aponta para deficiências nos setores da indústria e dos transportes, embora admita progressos na redução das emissões provenientes da produção de energia, especialmente energia elétrica (-20,9% entre 2000 e 2014). Em 2013, por exemplo, os lares europeus consumiram 21,2% menos energia por metro quadrado do que no ano 2000. O crescimento das energias renováveis ​​tem sido importante, mas a melhoria da intensidade de carbono teria de acelerar de cerca de 1,8% por ano para cerca de 3% por ano na próxima década.

No entanto, os europeus estão longe de estar no bom caminho para atingir os seus objetivos globais no horizonte de 2030 e 2050, ressalta o relatório, realizado em cooperação com outros sete centros de pesquisa e publicado no segundo dia da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22) de Marrakesh.

A União Europeia se comprometeu a reduzir as suas emissões em pelo menos 40% até 2030 (em relação a 1990), uma etapa fundamental para alcançar a redução de 80-95% até 2050. No entanto, "o ritmo de mudança é insuficiente" e tem sido prejudicado por fatores econômicos, como a lenta retomada do crescimento no bloco após a crise financeira de 2008.

"No setor dos transportes, a União Europeia está atrasada", indica o relatório, apontando variações de um país para outro. A intensidade energética do transporte de passageiros vem melhorando apenas cerca de 0,8% ao ano, em comparação com a melhoria de cerca de 1,8% por ano necessária na próxima década para atingir as metas de 2030 e 2050.

Até os países mais avançados do bloco estão distantes, por exemplo, de abandonar o carvão. É o caso da Alemanha, por exemplo. Também são insuficientes os esforços nos setores industriais dependentes de um maior consumo de energia, como a siderurgia.

O relatório preconiza que a União Europeia e seus estados membros revejam seus planos, reavaliando em cada setor da economia onde seria possível cortar mais emissões.

Aquecimento global acelera fenômenos extremos, diz OMM

A situação se mostra ainda mais urgente à luz de um outro relatório divulgado hoje, em Marrakesh, durante os debates da COP 22. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o aquecimento global acelerou a frequência de fenômenos climáticos extremos, como secas e ondas de calor intensos, entre 2011 e 2015. A OMM chegou a essa conclusão depois de compilar dados estatísticos de 80 estudos sobre o assunto.

"A probabilidade de que haja temperaturas extremas se multiplicou por dez e inclusive mais", adverte a organização.

O documento cita alguns fenômenos extremos ocorridos nesse período, como as temperaturas recordes nos Estados Unidos em 2012 e na Austrália no ano seguinte. Em 2013, os termômetros dispararam durante o verão no leste asiático e na Europa ocidental, enquanto na Argentina o mês de dezembro foi marcado por um calor excepcional. "Todos fenômenos cuja probabilidade aumentou fortemente com as mudanças climáticas", explica a síntese realizada pela OMM.

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