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Linha Direta

Unesco declara cerveja belga patrimônio da humanidade

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Cerveja em um pub em Bruxelas Grand Place, Bélgica, 25 de novembro de 2016.
Cerveja em um pub em Bruxelas Grand Place, Bélgica, 25 de novembro de 2016. REUTERS/Francois Lenoir

A UNESCO decidiu proteger a tradição cultural da cerveja belga como patrimônio imaterial da humanidade. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira durante reunião anual do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio da UNESCO, em Adis Abeba, na Etiópia.

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Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

O reconhecimento vai reforçar ainda mais a reputação da cerveja belga como a melhor do mundo e voltar a dar visibilidade à tradição cervejeira da Bélgica, que é bastante presente porém sujeita à concorrência de outros países produtores. Segundo a Convenção da UNESCO, a proteção do patrimônio imaterial cultural abrange as tradições herdadas que são preservadas por várias gerações. E por aqui, a cultura da cerveja faz parte do DNA belga. Estima-se que cada belga beba 81 litros de cerveja por ano o que equivale a 900 milhões de litros da bebida.

O fato da Bélgica ser um ponto de encontro entre a Europa germânica e a latina permitiu ao país reunir influências de ambos os lados. A principal característica da cerveja belga é a criatividade: a variedade de combinação de ingredientes e aos diferentes processos de fermentação. A Bélgica também é conhecida por sua água de alta qualidade, vital para a produção de uma boa cerveja. O país produz mais de 1.500 rótulos diferentes de cerveja em seu pequeno território.

Entre as mais consumidas estão as famosas trapistas, as Dubbel (frutada com aromas de ameixa ou banana, muito malte e pouco lúpulo), as Trippel (elaboradas com frutas cítricas como o limão e a laranja), as Quadrupel (produzidas com aromas fortes de chocolate, café e algumas frutas, o teor alcoólico pode chegar a 11,5%), as Blonde (na Bélgica são cervejas claras, leves e aromáticas, muito fáceis de beber), as Witbier (elaboradas com trigo e com sabor refrescante e cítrico) e a Belgian Golden Strong Ale (é um dos estilos mais tradicionais de cerveja belga, com um tom levemente avermelhado, sabor forte e marcante, graças ao uso de frutas e lúpulo em sua produção).

Forte tradição

A cerveja é para a Bélgica o mesmo que o vinho representa para a França. Apesar dos primeiros indícios da fabricação de cerveja terem sido registrados na Mesopotâmia, por volta de 9.000 AC, a produção e o consumo da bebida só ganharam impulso durante a Idade Média. Na época, os monges tinham acesso aos métodos de fabricação e os monastérios se tornaram os grandes produtores de cerveja. Principalmente no norte da Europa cujo clima bastante frio não era propício ao cultivo de uvas para serem transformadas em um bom vinho, mas a terra e o clima eram ideais para o cultivo de cevada e lúpulo, ingredientes básicos da cerveja.

A imagem do monge cervejeiro remonta ao século XII quando a Bélgica ainda nem era um país, mas as abadias flamengas e francesas fabricavam a bebida com a permissão da Igreja Católica. Depois de uma epidemia de peste, a população foi aconselhada a trocar a péssima água potável que bebiam pela cerveja, feita com água fervida.

Westvleteren 12, a melhor cerveja do mundo

A melhor cerveja do mundo a Westvleteren 12, é produzida no mosteiro de Saint Sixtius, em Flandres, a metade belga onde se fala flamengo. O segredo do processo de fabricação é guardado a sete chaves. Apenas 60 mil caixas com 24 garrafas são produzidas a cada ano – desde 1946 - e vendidas no portão do monastério. A produção limitada faz parte do modo de vida dos monges -eles acreditam que a produção em larga escala pode perturbar o recolhimento da vida monástica.

Os monges de Saint Sixtius continuam produzindo a melhor cerveja do mundo sem finalidade de lucro, para garantir a subsistência. A Westvleteren 12 é uma cerveja trapista considerada espetacular pelos especialistas. A garrafa não tem rótulo e todas as informações são impressas na tampa. A cerveja trapista, considerada de qualidade excepcional, é fabricada em pequena escala e de forma tradicional. Hoje, apenas 11 mosteiros da Ordem Trapista no mundo produzem cerveja. Seis deles estão na Bélgica.

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