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Cuba e União Europeia iniciam nova era de relações diplomáticas

O chancerle cubano, Bruno Rodriguez, e a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini
O chancerle cubano, Bruno Rodriguez, e a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini REUTERS/Francois Lenoir

Cuba e União Europeia (UE) iniciaram nesta segunda-feira (12) uma nova era de relações diplomáticas plenas, apesar de suas divergências no âmbito dos direitos humanos, um mês antes da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

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"Hoje em dia reconhecemos que há mudança em Cuba e queremos acompanhar essa mudança econômica e social", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, momentos antes da assinatura do Acordo de Diálogo Político e Cooperação, que coloca fim à restritiva Posição Comum de 1996 e representa a plena normalização de suas relações diplomáticas.

A situação dos direitos humanos e das liberdades políticas na ilha caribenha foi um dos principais obstáculos ao longo das sete rodadas de negociações, mas os participantes decidiram finalmente abordá-la em um diálogo separado para abrir caminho em direção ao pacto.

Nesse diálogo separado, do qual já foram realizados dois encontros, "falamos de tudo amistosamente em um enfoque construtivo, e penso que esta é a maneira de proceder", afirmou Mogherini.

"Há muitas áreas de concordância entre a UE e Cuba, e também áreas de profundas divergências, relacionadas principalmente aos âmbitos políticos", explicou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, que defendeu o direito de um país de eleger seu sistema político e a não-ingerência exterior em assuntos internos.

Respeito mútuo e soberania

O acordo, negociado por quase dois anos desde abril de 2004, estabelece, assim, o objetivo de "iniciar um diálogo com o objetivo de fortalecer os direitos humanos e a democracia" e o reforço das relações "com base no respeito mútuo e na soberania".

Uma fonte diplomática explicou, antes da assinatura, que a UE "não dá um cheque em branco a Cuba" porque estabelece que as relações irão avançando em função dos progressos democráticos, de respeito aos direitos humanos". "Sempre vamos ter aqui a capacidade de parar, de acelerar ou de suspender o acordo", ressaltou.

Cuba, que era o único país latino-americano sem um acordo diplomático desse tipo com o bloco europeu, restabelece a plena normalização de suas relações com seu segundo sócio comercial semanas após a morte do líder cubano Fidel Castro.

Já os Estados Unidos, apesar da reaproximação iniciada por Barack Obama, não chegaram a levantar o embargo imposto a Cuba em 1962. E Donald Trump já advertiu que colocará fim às relações retomadas com o país latino-americano caso não haja um "acordo melhor" para os EUA.

A chefe da diplomacia europeia ressaltou que a próxima administração Trump não afetará as relações da UE com Cuba, mas ressaltou, assim como seu colega cubano, sua preocupação por eventuais sanções dos Estados Unidos às empresas que violem seu embargo contra a ilha.

"As relações entre Cuba e a UE felizmente não passam por Washington", disse Rodríguez, para quem será preciso remover, no entanto, "o obstáculo que significa, em particular no plano financeiro, a aplicação que persiste do bloqueio contra Cuba".

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