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Linha Direta

Crise humanitária na Síria domina última reunião do Conselho Europeu em 2016

Áudio 06:05
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker (direita) e o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico durante coletiva na última reunião do Conselho Europeu. 15/12/16
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker (direita) e o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico durante coletiva na última reunião do Conselho Europeu. 15/12/16 REUTERS/Francois Lenoir

No último encontro do ano, o destino de Aleppo ofuscou o Conselho Europeu. Os líderes do bloco também prorrogaram sanções contra a Rússia e se reuniram, sem a participação da primeira-ministra britânica Theresa May, para preparar a saída do Reino Unido da União Europeia.

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Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

A União Europeia (UE) condenou a violência contra Aleppo por parte do regime sírio e de seus aliados, principalmente, Rússia e Irã. Durante o Conselho Europeu, nesta quinta-feira (15), o prefeito da parte leste de Aleppo, Brita Hagi Hassan, lançou um apelo aos dirigentes do bloco, “esta é a última chance para a humanidade em Aleppo”.

Hagi Hassan impressionou os líderes com os relatos de sua cidade devastada e pediu apoio para a abertura de um corredor humanitário para que civis possam deixar a área, que era um antigo inclave rebelde da cidade. Ele ressaltou que “cerca de 50 mil pessoas em Aleppo leste não esperam nada além da morte depois do fracasso da comunidade internacional”.

A França tem liderado a campanha por mais engajamento e ajuda humanitária. “Daqui a poucas horas, se esforços não forem feitos, os regimes que apoiam o líder sírio Bashar al-Assad serão responsáveis por situações extremamente graves”, enfatizou o presidente francês, François Hollande.

Em sua declaração conjunta, a UE pediu um completo cessar-fogo em Aleppo, a proteção dos hospitais sitiados na cidade, além de acesso à ajuda humanitária e medicamentos. Os líderes europeus pediram ao governo de Damasco e seus aliados, como a Rússia, para facilitar a saída dos civis de Aleppo.

Prorrogação das sanções contra a Rússia

A União Europeia decidiu prolongar as sanções econômicas contra a Rússia por mais seis meses por causa da lentidão na implementação do acordo de paz para o leste da Ucrânia. Moscou e Kiev assinaram esse acordo em Minsk, capital da Bielorússia há mais de um ano e pouco progresso foi feito no campo político. As medidas punitivas atuais, que terminam em janeiro próximo, abrangem os setores de energia, defesa e finanças da Rússia.

As sanções também foram impostas porque a Europa não reconhece a anexação da Crimeia feita pela Rússia em 2014. Este território, onde a população é majoritariamente é de etnia russa, é rico em petróleo e gás. Já o Kremlin diz que a Crimeia é terra russa e que seu status não é negociável.

A decisão de prorrogar as sanções até julho de 2017 já era esperada tanto por Moscou quanto pela comunidade internacional. A declaração final do Conselho Europeu não menciona nenhuma sanção suplementar contra a Rússia por sua intervenção militar na Síria.

Brexit da entrada à sobremesa

Em um ano particularmente difícil para a União Europeia, o ato final dos 27 líderes do bloco foi em volta de uma mesa. Um jantar informal com um cardápio nada apetitoso: Brexit da entrada à sobremesa.

Bruxelas quer começar “o quanto antes possível as negociações” com Londres, assim que receber a notificação prometida pelo partido conservador da primeira ministra britânica Theresa May. Os dirigentes começaram a discutir as regras básicas para as negociações do Brexit e designaram o ex-comissário europeu, Michel Barnier para liderar as negociações de saída do Reino Unido. Se os britânicos decidirem acabar com a livre circulação de pessoas, serão expulsos do mercado comum europeu.

Durante o Conselho Europeu, a impressão que se teve é que Theresa May foi menosprezada pelos seus colegas. Excluída de participar do jantar informal em Bruxelas, May parece ter sido ignorada em plena reunião. Isso pelo menos foi o que mostrou um vídeo divulgado pela imprensa europeia onde uma Theresa May visivelmente rejeitada estava absolutamente só.

Ao chegar em Bruxelas, a premiê britânica reafirmou sua intenção dar início à saída do Reino Unido da UE antes do final de março de 2017. O processo oficial de saída só será desencadeado quando o artigo 50 do Tratado de Lisboa for acionado. As negociações devem durar dois anos e terminar antes das próximas eleições gerais no país. “Nós vamos deixar a UE. Queremos que seja um processo tão suave e ordenado quanto possível. Não é apenas nosso interesse, é também do resto da Europa”, declarou.

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