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Imprensa

Jornais destacam pressão da extrema-direita alemã sobre Merkel depois do atentado

Capa do jornal Libération desta quarta-feira (21).
Capa do jornal Libération desta quarta-feira (21). Reprodução/Libération

O assunto dos principais jornais franceses nesta quarta-feira (21) não poderia ser outro: o atentado contra o mercado de Natal na segunda-feira (19) em Berlim, que deixou 12 mortos e 48 feridos. Os diários estampam em suas capas a foto da chanceler alemã Angela Merkel e lembram que além do terrorismo, a líder também encara uma extrema-direita que atribui o incidente à generosa política de imigração do país. A Alemanha recebeu, desde o ano passado, quase 900 mil refugiados.

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"O atentado islamita que sacode a Alemanha" é a manchete de capa do jornal Le Figaro, que estampa a foto da chanceler Angela Merkel, visivelmente abatida e vestida de preto, visitando o local que foi alvo do violento ataque. O diário destaca o desafio da líder alemã diante do terrorismo e da chuva de críticas de seus opositores.

Logo ela, diz Le Figaro, que resolveu acolher milhares de refugiados em seu país - quase 900 mil -, apesar das duras críticas de seus adversários. Adversários, aliás, que não perderam a oportunidade de martelar suas reclamações nos últimos dias sobre os riscos de continuar acolhendo refugiados no país, ressalta o jornal francês, apesar dos pedidos da chanceler de manter a serenidade diante do terrorismo.

Angela Merkel também estampa a capa do jornal Libération, sob a manchete: "Atingida". "A Alemanha em luto e a chanceler alemã sob pressão, um dia depois do atentado que deixou 12 mortos e 48 feridos, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico", escreve o diário.

Em Berlim, o sentimento é o da necessidade de continuar vivendo em liberdade, destaca Libération, que entrevistou moradores, alemães e estrangeiros, além de turistas que visitam, neste fim de ano, a capital reconhecida no mundo inteiro por ser cosmopolita, acolhedora e livre. Berlim segue em pé, a exemplo da célebre Igreja da Memória, parcialmente destruída por bombas durante a Segunda Guerra Mundial e que foi testemunha do ataque terrorista de 19 de dezembro, ressalta.

Consequências do ataque de Berlim para a França

"Lágrimas e perguntas" é a manchete do Aujourd'hui en France, que traz em sua capa Angela Merkel com os olhos fechados. O diário traz quatro páginas sobre os desdobramentos do trágico incidente vivido pelos alemães e trata também das possíveis consequências que o atentado pode ter para a França, alvo frequente dos jihadistas. "Mesmo sob estado de emergência, precisamos ir além da segurança já reforçada?", questiona.

O diário entrevistou um cientista político especializado em segurança, Dominique Moïsi, que diz acreditar que a melhor forma de se proteger contra os ataques terroristas é o monitoramento e um bom trabalho dos serviços de inteligência. Mas, lembra o especialista, um monitoramento que deve ser feito com equilíbrio e sem entrar na paranoia. "Junto à necessidade de proteger está a necessidade de continuar a viver", enfatiza.

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