Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

2016, um ano de terremotos políticos para a Europa

Áudio 04:43
Poucos refugiados estão nos acampamentos de refugiados na Turquia.
Poucos refugiados estão nos acampamentos de refugiados na Turquia. REUTERS/Umit Bektas/File Photo

2016 foi um ano marcado pelos terremotos políticos. O mundo assistiu incrédulo à vitória do magnata conservador Donald Trump nos EUA. O Brexit que representou a saída do Reino Unido da União Europeia foi outro choque político para a União Europeia. A crise dos refugiados e os atentados terroristas na Europa também marcaram o cenário internacional.

Publicidade

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

A vitória de Donald Trump nos EUA estremeceu a Europa. Manter um bom relacionamento com Bruxelas não é prioridade para o novo presidente americano. Com a chegada do magnata republicano ao poder, questões fundamentais como a posição americana dentro da Otan e as negociações sobre o tratado comercial entre EUA e União Europeia correm o risco de acabar.

Na frente militar, Trump tem reclamado dos gastos dos americanos na Otan e exigido maior participação dos europeus. Ele nunca escondeu sua insatisfação pelo fato de a Europa ser dependente dos EUA nas questões de segurança. Trump também sempre mostrou sua oposição a acordos comerciais. Os EUA são os maiores parceiros comerciais do bloco europeu e com Trump o futuro do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês) é totalmente incerto.

Outra questão delicada sobre a vitória de Donald Trump é que ela deve fortalecer candidatos da extrema-direita nas próximas eleições presidenciais como a francesa Marine Le Pen do Partido Frente Nacional e o holandês Geert Wilders do Partido para a Liberdade. Muitos acreditam que a ascensão de Trump deixou a chanceler alemã Angela Merkel sozinha, como a única defensora dos valores liberais no cenário político mundial. Merkel, que é símbolo de estabilidade no bloco, irá concorrer novamente às eleições do próximo ano.

No referendo de 23 de junho, os britânicos votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. Ao convocar o referendo, a idéia do ex-premiê britânico David Cameron era elevar a pressão na UE para negociar flexibilidade para o Reino Unido. Sua tática não deu certo. Por 52% contra 48% dos votos os britânicos escolheram colocar um ponto final nos 43 anos de vida em comum com o bloco europeu.

A notícia caiu como uma bomba em Bruxelas. Pela primeira vez um país decidiu deixar a União Europeia. Além de provocar um terremoto político e um choque na economia britânica, o Brexit está prejudicando o equilíbrio interno da UE e fortalecendo a extrema-direita no continente. O governo conservador da primeira-ministra britânica Theresa May deve iniciar o processo formal de saída do país antes do final de março do ano que vem. Previsto para ser concluído em dois anos, o processo deve ser arrastado por mais tempo. Se não houver nenhum acordo entre os países do bloco nas negociações, há inclusive especulações sobre a possibilidade de uma nova consulta popular.

Crise dos refugiados

A crise dos refugiados é um dos problemas mais agudos vivido pelo bloco europeu. Em 2016 chegaram menos refugiados na União Europeia, mas morreram mais pessoas tentando atravessar o mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor na Europa. Um recorde: nada menos que 5 mil mortes, um número que envergonha Bruxelas. Alemanha e Suécia foram os únicos países do bloco que realmente abriram as portas para os refugiados. Políticos populistas na França, Holanda, Alemanha e Áustria tem usado a crise dos refugiados para enfraquecer o bloco europeu.

Os governos da Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia reiteraram o sentimento anti-imigração rejeitando milhares de refugiados. Aliás, a crise migratória foi responsável pela consolidação do chamado Grupo de Visegrád, uma aliança ultraconservadora e que tem o objetivo de defender a homogeneidade nestes quatro países. As tensões com os refugiados ilegais aumentaram em 2016 principalmente na Alemanha. No Reveillón do ano passado, 700 jovens afirmaram ter sido vítimas de agressões sexuais por centenas de homens – a maioria de aparência árabe ou norte-africana - nas cidades alemãs de Colônia e Hamburgo.

 Relação entre UE e Turquia desestabilizada

 A Turquia abriga cerca de 2.7 milhões de refugiados sírios. Há oito meses, UE e Ancara assinaram um acordo para conter o fluxo migratório. Todos os migrantes e refugiados pegos atravessando ilegalmente o mar Egeu rumo à Grécia serão enviados à Turquia. Para cada refugiado sírio encaminhado à Turquia, a UE se comprometeu a receber um outro já assentado nos acampamentos turcos. Na prática, até o momento, o acordo produziu pouco efeito.

Além do mais, no mês passado o Parlamento Europeu votou a suspensão do diálogo para a entrada da Turquia no bloco. A votação não tem força tem de lei mas deteriorou a relação entre Ancara e Bruxelas. Os deputados europeus defenderam o congelamento das negociações em resposta às medidas desproporcionalmente repressivas que a Turquia tomou desde o golpe militar fracassado em julho passado, que fez 290 mortos.

Atentados terroristas

As tragédias provocadas pelo terrorismo não pouparam a Europa este ano. Em março, explosões no aeroporto de Bruxelas e em uma estação de metrô da cidade causaram a morte de 35 pessoas e deixaram outras 340 feridas. O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques. Durante o verão, a Alemanha foi alvo de quatro atentados terroristas deixaram 13 mortos e 50 feridos.

Na celebração do 14 de Julho, um caminhão atropelou uma multidão em Nice, no sul da França, que deixou 86 mortos e mais de 400 feridos. O mesmo método foi usado na semana passada, em Berlim. Um caminhão avançou contra um movimentado mercado de Natal da capital alemã, matando 12 pessoas e ferindo 48. A Ambos ataques foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.