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A Semana na Imprensa

Merkel está mais forte do que nunca, diz revista francesa

Áudio 02:51
Angela Merkel tentará continuar no cargo após dez anos no poder
Angela Merkel tentará continuar no cargo após dez anos no poder Wolfgang Rattay / Reuters

A revista francesa Le Point desta semana se interessou pelo futuro político de Angela Merkel, no poder há mais de dez anos. Segundo a publicação, apesar do atentado de Berlim em 19 de dezembro e dos diversos ataques da oposição, a chanceler alemã parece estar mais forte do que nunca.

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Com o título “Merkel, a ‘mutti’ (mamãe) inabalável”, a reportagem da revista vê a situação atual da chanceler como um verdadeiro paradoxo, principalmente após o atentado visando o mercado de Natal. Pois mesmo se em 2016 a Alemanha foi alvo de sete ataques de cunho terrorista, o massacre de Berlim foi um divisor de águas. “A chanceler entendeu que esse episódio a fragilizou e deu vazão aos comentários daqueles que criticam sua política de acolhimento de requerentes de asilo”, ressalta o texto.

“As reações, aliás, não demoraram muito”, conta a reportagem, lembrando que poucos minutos após o anúncio do banho de sangue, os primeiros tweets dos dirigentes do partido populista e xenófobo AfD começaram a circular na internet. Além disso, vários comentários negativos também foram ouvidos do lado da própria chanceler.

No entanto, explica a revista francesa, Merkel pode contar com o apoio de vários setores da sociedade: “sindicatos, sociais-democrata, membros da direita tradicional, católicos e protestantes se mobilizaram a favor da chanceler”, comenta Olivier Giraud, co-diretor do Laboratório interdisciplinar de sociologia econômico, ouvido pela revista. “Ela conseguiu, sobre o tema dos refugiados, ampliar sua base política colocando os que a atacavam em uma posição marginal”, explica o analista.

Para os especialistas ouvidos pela reportagem, um dos segredos do sucesso de Merkel, apesar das crises, é sua capacidade de operar alterações na administração sem necessariamente mudar sua estratégia. O texto explica, por exemplo, como a chanceler conseguiu, nos últimos meses, manter seu discurso de abertura ao mesmo tempo em que endurecia algumas regras na política de imigração alemã. “Berlim enviou, pela primeira vez em dezembro, um avião fretado com 34 migrantes de volta para o Afeganistão”, relata a revista. Em contrapartida, a chanceler sempre recusou impor um limite de 200 mil refugiados acolhidos por ano, apesar da pressão exercida pelas forças políticas do país.

“Esse pragmatismo deve permitir a Merkel conquistar um quarto mandato nas eleições legislativas de setembro”, estima a reportagem. O único risco é a possibilidade de “uma onda de atentados ou de um ataque pouco antes do pleito, que poderia criar um clima de pânico e ter um impacto nas urnas”, sublinha Isabelle Bourgeois, do Centro de informação e de pesquisas sobre a Alemanha contemporânea. Mesmo assim, Le Point aposta na experiência e no sangue frio da chanceler, que tem o poder de acalmar nas horas de crise. “Afinal, quem melhor que uma mamãe (mutti) para ajudar nos momentos difíceis”, conclui a reportagem, em um trocadilho com o apelido dado habitualmente a Angela Merkel.

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