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Turquia

Turquia acusa governo holandês de ser nazista e faz ameaças

O presidente turco, Recep Tayyip Erdoga, durante comício neste sábado (11), em Ancara.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdoga, durante comício neste sábado (11), em Ancara. Kayhan Ozer/Presidential Palace/Reuters

As tensões relacionadas à campanha realizada pelo governo turco em alguns países da Europa em favor de um reforço dos poderes presidenciais de Recep Tayyip Erdogan provoca uma crise diplomática entre a Turquia e a Holanda. Depois de cancelar um comício do ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, em Roterdã, o governo holandês foi acusado neste sábado (11) de ser nazista e foi alvo de ameaças de Ancara.

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A polêmica começou quando autoridades holandesas cancelaram o comício Mevlut Cavusoglu faria neste sábado em Roterdã. O partido governista turco AKP realiza uma campanha de apoio à Erdogan na Europa, que conta com uma importante comunidade turca. Em abril, a Turquia realizará um referendo que pode aumentar os poderes do presidente e Ancara tenta angariar apoio dos imigrantes turcos na Europa. Apenas na Holanda, vivem 400 mil pessoas de origem turca.

Em resposta ao cancelamento do evento, na manhã deste sábado, o ministro turco das Relações Exteriores declarou que iria à Roterdã, independente da anulação de seu discurso. A Turquia também ameaçou o governo holandês de sanções políticas e econômicas.

A retaliação irritou as autoridades holandesas, que decidiram proibir, além do evento, que o voo de Cavusoglu pousasse no país. Segundo um comunicado divulgado pelo governo holandês, as ameaças de Ancara "impossibilitam a busca de uma solução razoável e, por esta razão, a Holanda retira o direito de aterrissagem" do avião do ministro turco. "A Holanda lamenta o desfecho dos acontecimentos e apoia um diálogo com a Turquia", reiterou o comunicado.

O documento ressalta que Ancara se negou a respeitar as regras. "O governo holandês não faz objeções contra comícios em nosso país para informá-los" sobre o referendo turco, ressaltou no comunicado. "Mas essas reuniões não podem levar a tensões em nossa sociedade, e todos aqueles que desejam realizar um comício têm que respeitar as instruções das autoridades competentes para que a paz e a segurança possam ser garantidas."

"Vestígio do nazismo"

Erdogan não demorou a responder, classificando a decisão como "vestígio do nazismo". "São fascistas", declarou o presidente turco. "Vocês podem proibir nosso ministro das Relações Exteriores de pousar na Holanda, mas a partir de agora, veremos como os voos de vocês vão aterrissar na Turquia", ameaçou Erdogan durante um comício em Istambul.

Pouco depois, a Turquia convocou um representante da diplomacia holandesa em Ancara para prestar esclarecimentos. Cavusoglu "continua em Istambul", declarou uma autoridade da chancelaria turca.

Campanha pró-Erdogan acirra tensão na Europa

A campanha de Erdogan na Europa tem causado grande tensão entre os países e a Turquia, começando pela Alemanha, que cancelou vários comícios pró-governo. Neste contexto, o presidente turco já havia acusado, em 5 de março, a Alemanha de "práticas nazistas", observações que irritaram Berlim e Bruxelas. Mas a chanceler Angela Merkel pediu "cabeça fria".

A prefeitura da cidade de Gaggenau, no sudoeste da Alemanha, chegou a receber uma ameaça de bomba depois de cancelar um comício em que o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, deveria discursar em favor de Erdogan.

Vários países manifestaram desconforto com a campanha. Assim como a Alemanha e a Holanda, a Suíça e Áustria também proibiram na sexta-feira (10) a realização em seu território de encontros eleitorais na presença de membros do partido governista turco AKP, citando riscos de distúrbios à ordem pública.

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