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Países do leste europeu acusam ingredientes de “menor qualidade” na Nutella

Países do leste europeu acusam a marca Ferrero de vender uma Nutella de “menor qualidade”.
Países do leste europeu acusam a marca Ferrero de vender uma Nutella de “menor qualidade”. Giuseppe Aresu/Getty Images

Hungria, República Tcheca, Polônia e Eslováquia acusam marcas como a Ferrero, produtora da famosa pasta de avelã Nutella, de comercializar produtos de menor qualidade no leste do continente.

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Seria a Nutella igual em todos os lugares da Europa? Muitos, mas com a “mesma embalagem”. Além da famosa pasta de avelã, outros 20 produtos também são acusados da mesma prática e a questão foi levada ao Conselho Europeu, em Bruxelas, nos últimos dias 9 e 10 de março.

Tudo começou com um laboratório na Eslováquia que, após analisar cerca de 22 produtos vendidos em supermercados da capital, Bratislava, chegou à conclusão, publicada pelo Ministério da Agricultura do país, de que os itens possuíam gosto, aparência e composição diferentes “de seus equivalentes comprados em cidades austríacas, a apenas alguns quilômetros de distância”, segundo o jornal francês Le Monde.

Os testes na Eslováquia foram apenas o início do processo. Influenciada pelo vizinho, a Hungria realizou um estudo do mesmo tipo sobre 24 marcas produzidas por gigantes da indústria agroalimentar como Unilever ou Nestlé. O resultado, mais uma vez, apontou a diferença de qualidade entre os produtos distribuídos entre leste e oeste do continente.

“Menos cremoso, menos rico, menos harmonioso”

A lista apresentada ao Conselho Europeu traz derivados do leite, refrigerantes e sobremesas. Na Europa oriental, a pasta Nutella seria “menos cremosa”, a Coca-cola “menos rica, menos complexa” e até o achocalatado Nesquick seria “menos harmonioso e intenso”. O molho carbonara da Knorr também não escapou do veredito: a versão vendida a leste do continente não teria em sua composição nenhum tipo de queijo, ao contrário dos três tipos detectados a oeste.

A diferença, a priori, não possui nada de ilegal: cada fabricante pode utilizar ingredientes diferentes de acordo com o mercado a que se destina. Mas o que está em questão, segundo as acusações, é que as marcas utilizariam para produtos destinados a algumas regiões ingredientes mais baratos e de menor qualidade, privilegiando gorduras vegetais no lugar de animais, edulcorantes no lugar de açúcar e colorantes no lugar de extrato de frutas. Os fabricantes são, em todo caso, obrigados a respeitar as normas sanitárias da União Europeia e a indicar com precisão os ingredientes na embalagem.

AFP/Johanna Leguerre

Os países do leste europeu se consideram “lixeiras europeias”, segundo as palavras do ministro tcheco da Agricultura. “Estas práticas são humilhantes e criam duas categorias de cidadãos dentro da União Europeia”, denunciou o premiê eslovaco ao site da rede de rádio e TV Franceinfo. Os líderes esperam que o bloco encontre soluções para que “os consumidores, seja na Hungria, na Eslováquia, na Áustria ou na Alemanha, possam encontrar a mesma qualidade numa mesma marca”, segundo afirmou o ministro húngaro da Agricultura.

“Agência de monitoramento Nutella”

O Conselho Europeu acatou a reclamação dos países do leste como um problema oferecido pelo “padrão de qualidade duplo, relativo à questão dos gêneros alimentícios”. Segundo Franceinfo, trata-se de um sinal de que “Bruxelas levou a denúncia a sério”.

Vera Jourova, comissária europeia do Consumo, chamou todos os estados membros a verificarem a qualidade de seus produtos. De acordo com a amplitude do fenômeno, ela afirmou que poderá tomar medidas mais drásticas. Mas, segundo informações da imprensa europeia, a guerra está bem longe de ser vencida.

Durante o Conselho Europeu, Christian Schmidt, ministro alemão da Agricultura, afirmou que o assunto não era uma prioridade. "A última coisa que a UE precisa agora é de uma agência de monitoramento Nutella", ironizou. Na mesma linha, o primeiro-ministro de Luxemburgo afirmou que havia comido "Nutella esta manhã" e que tinha sido "muito bom", segundo relatou a rádio francesa RTL.

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