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Linha Direta

Alemanha: extremismo de direita expõe falhas nas Forças Armadas

Áudio 04:38
A ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, acompanhada pelo general Joerg Vollmer, durante coletiva no quartel onde trabalhava o militar extremista de direita.
A ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, acompanhada pelo general Joerg Vollmer, durante coletiva no quartel onde trabalhava o militar extremista de direita. REUTERS/Vincent Kessler

As Forças Armadas estão na linha de frente de uma nova polêmica na Alemanha: o escândalo envolvendo um tenente de 28 anos, que foi preso sob suspeita de estar planejando um possível ataque terrorista. Com perfil de extrema-direita, o militar tinha dupla identidade. E conseguiu uma proeza: receber asilo como refugiado sírio, mesmo sem falar uma palavra de árabe.

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Cristiane Ramalho, de Berlim para a RFI

O caso coloca em xeque o sistema de recrutamento dentro das Forças Armadas, e o processo de triagem dos pedidos de asilo no país. A descoberta levou a ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, a ficar sob fogo cruzado.
Ela fez duras críticas à corporação, que está sob seu comando. Mas as declarações provocaram forte reação de militares e políticos, que criticaram von der Leyen por julgar a corporação de forma generalizada.

Outra vozes apoiaram a ministra, afirmando que ela tocou num problema que não pode ser varrido para debaixo do tapete. Qualquer suspeita de extremismo de direita dentro das Forças Armadas tem que ser devidamente investigada.

Em meio à polêmica, uma coisa é certa: a ministra, que é do partido conservador da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e é uma figura de ponta dentro da legenda, está sendo obrigada a jogar todas as fichas na sua autodefesa.

Na quarta-feira, ela cancelou uma viagem que faria aos Estados Unidos. Já amenizou o tom das críticas, assumindo inteiramente a responsabilidade pelo que acontece nas Forças Armadas. Ontem, von der Leyen fez uma reunião de emergência com militares de alta patente para discutir o problema.

Descoberta casual

O tenente, identificado como Franco A., só foi descoberto porque escondeu uma arma no banheiro de um aeroporto em Viena, na Áustria. O que levou os investigadores a acionar os seus superiores. A maior surpresa veio depois, quando se constatou, através das impressões digitais, que ele estava registrado como refugiado sírio na Alemanha e ainda recebia benefícios, mesmo sem falar uma palavra de árabe.

O caso jogou luz, novamente, sobre as falhas no sistema de registro dos refugiados e imigrantes que chegaram à Alemanha em meio à crise no continente. Uma das suspeitas é de que o militar poderia estar planejando um ataque contra refugiados e políticos de esquerda. Até agora, o temor era de que um extremista islâmico pudesse se infiltrar nas Forças Armadas. Mas ninguém esperava que o risco de um ataque terrorista pudesse vir de um militar alemão.

Suspeita de negligência

O mais grave é que o perfil de extrema-direita de Franco A. já seria conhecido dentro da corporação. Segundo a mídia alemã, ele teria deixado pistas de sua postura xenófoba num trabalho acadêmico, mas não foi denunciado por seus superiores. O militar estava lotado numa brigada franco-alemã em Illkirch, perto da fronteira da França com a Alemanha.

As Forças Armadas estão sob pressão para esclarecer o caso e comprovar se houve negligência por parte dos oficiais que não denunciaram o tenente. A corporação já vinha investigando 280 casos de militares suspeitos de envolvimento com a extrema-direita. Mas Franco A. não estava entre eles.

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