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Gay, novo premiê da Irlanda surfa entre ondas modernas e reacionárias

Aos 38 anos, Leo Varadkar é o mais jovem primeiro-ministro da história da Irlanda do Norte
Aos 38 anos, Leo Varadkar é o mais jovem primeiro-ministro da história da Irlanda do Norte REUTERS/Clodagh Kilcoyne

Leo Varadkar, filho de um médico indiano e de uma enfermeira irlandesa, foi eleito nesta quarta-feira (14) à frente do governo irlandês. Ele é o mais jovem, e o primeiro homossexual, a assumir o cargo em um país super católico e conservador.  

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Antes mesmo de iniciar suas atividades, Leo Varadkar, que também é médico e era ministro da pasta da Proteção Social, certamente já renovou o panorama político da Irlanda, marcado pelo catolicismo e por ideias conservadoras. Mestiço e gay assumido, aos 38 anos ele impõe logo de saída uma imagem fora dos padrões tradicionais.

O novo premiê venceu por 57 contre 50 e 47 abstenções. Grande parte dos votos favoráveis vieram de deputados independentes que apoiavam o governo minoritário formado pelo movimento de centro-direita, Fine Gael. Os deputados do principal partido de oposição, o Fianna Fail, se abstiveram.

"Foi a legalização da casamento gay que me permitiu ser um cidadão como os outros e lutar por esse cargo político que, antes, era fora de alcance se eu quisesse ser eu mesmo"

Em seu primeiro discurso, ele lembrou a legalização do casamento para pessoas do mesmo sexo, adotado por referendo em 2015, durante o governo de Enda Kenny, que cumpriu dois mandatos seguidos como primeiro-ministro e se demitiu na tarde de terça-feira (13), após seis anos à frente do governo. "Foi sua política que me permitiu ser um cidadão como os outros há somente dois anos, e lutar por esse cargo que, antes, era fora de alcance se eu quisesse ser eu mesmo", ele declarou, referindo-se que, como homossexual, não chegaria a assumir tal cargo político. Até 1993, o homossexualismo era um crime na Irlanda. Varadkar vive com seu namorado, o médico Matthew Barrett.

Tendências políticas

Quanto às suas posições políticas, Leo Varadkar surfa entre ondas progressistas e reacionárias.

Um ano mais jovem do que o presidente francês Emmanuel Macron, e comparado a ele com frequência, Varadkar é de centro-direita e defende um governo amplo. "O governo que eu dirigir não será nem de esquerda nem de direita, será o novo centro europeu porque queremos construir uma República de oportunidades, uma República na qual cada cidadão terá sua chance, na qual cada região compartilhará nossa prosperidade", afirmou.

Apesar desse discurso de abertura, ele é muito criticado pelos partidos da oposição, que consideram que sua eleição vai fazer a Irlanda dar uma guinada para a direita, ala do seu partido Fine Gael à qual ele se identifica mais.

Varadkar não é, igualmente, um homem aberto a questões relevantes para a sociedade atual como a igualdade entre os sexos e o direito ao aborto, que é proibido na Irlanda, exceto em caso de risco de vida para a mãe. Com uma posição "pró-vida", ele se diz disposto à mudança de uma emenda da Constituição irlandesa sobre o tema, que estenderia a autorização do aborto à possibilidade da mãe cometer suicídio. Outra promessa: respeitar o compromisso de seu antecessor, Enda Kenny, e propor um referendo aos irlandeses sobre o assunto, em 2018.

Sobre a imigração, muitos ainda têm na memória a polêmica que ele causou em 2008, ao propor a expulsão dos imigrantes sem emprego.

 

 

 

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