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UE/Economia

Macron lança ofensiva contra trabalhadores "deslocados" do leste da Europa

O presidente francês, Emmanuel Macron, enfrenta queda de popularidade com reformas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, enfrenta queda de popularidade com reformas. REUTERS/Charles Platiau

O governo francês retorna à ativa após um curto período de férias, mas o clima de lua de mel com o presidente eleito há pouco mais de três meses não é mais o mesmo. Em queda de popularidade, Emmanuel Macron enfrenta críticas por seu estilo centralizador. Alguns analistas também começam a duvidar da eficácia das reformas em estudo. Os próximos passos de Macron são o principal assunto da imprensa francesa nesta terça-feira (22).

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O jornal Le Figaro diz em manchete que Macron parte para a ofensiva no plano internacional, em mais uma batalha relacionada aos desequilíbrios na União Europeia. Ele inicia nesta quarta-feira (23) um giro na Áustria, Romênia e Bulgária para defender um endurecimento das regras que regem o emprego de trabalhadores europeus "deslocados".

O termo faz referência aos trabalhadores que aproveitam a livre circulação no bloco para atuar num país que não o de sua residência. Na maioria das vezes, são trabalhadores de regiões mais pobres da Europa que buscam emprego nos vizinhos que pagam melhor. O problema é que esses trabalhadores, contratados por empresas sediadas em seus países de origem, acabam não recolhendo impostos nos locais onde exercem a atividade, o que cria uma situação de concorrência desleal com a mão-de-obra local.

Oposição da Polônia

Em seu editorial de primeira página, Le Figaro nota que embora Macron seja um pró-europeu convicto, ele vai defender que os contratos de trabalhadores europeus "deslocados" sejam limitados a no máximo um ano, contra os três anos permitidos atualmente. Mas a missão será difícil.

A Polônia, por exemplo, excluída do roteiro de Macron, se opõe à ideia. O Le Figaro também considera que a medida é insuficiente para corrigir as distorções no mercado de trabalho europeu, hoje "povoado" de empresas que se aproveitam das brechas na legislação para tirar o máximo de lucro, pagando menos impostos.   

Em página interna, o Le Figaro diz que tanto a oposição de direita quanto de esquerda preparam manifestações contra Macron. Há uma insatisfação crescente em relação ao que foi anunciado sobre a reforma no Código do Trabalho. As medidas não garantem, segundo muitos analistas, a criação de novos empregos no país, como acredita o governo, e mexem com direitos conquistados pelos trabalhadores franceses a duras penas, o que significa um custo político elevado para seus defensores.

O jornal econômico Les Echos anuncia que a boa notícia para o governo é que a retomada do crescimento avança, o que deve diminuir a pressão sobre as finanças públicas em 2018. O diário destaca, porém, que a margem de manobra de Macron continua reduzida. Os economistas estão cautelosos em relação à solidez das empresas, que ainda não recuperaram sua capacidade de investimento.   

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