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Catalunha

Catalães defendem as urnas na véspera do referendo pela independência

Domingo: dia tenso de votação na Catalunha.
Domingo: dia tenso de votação na Catalunha. PAU BARRENA / AFP

A menos de 24 horas da abertura dos colégios eleitorais para a votação no referendo da Catalunha, continua a incerteza sobre o que poderá acontecer: as urnas desapareceram, as cédulas foram apreendidas e os diferentes corpos policiais do país têm ordens do Tribunal Superior da Justiça da Catalunha (TSJC) de intervir e fechar todos os colégios eleitorais.

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Fina Iñiguez, correspondente da RFI Brasil em Barcelona.

Para tentar evitar a interdição dos locais de voto, centenas de pessoas passaram a noite de sexta para sábado em escolas e centros culturais que serão usados como colégios eleitorais em toda a Catalunha, estando dispostas a repetir a operação na próxima madrugada.

Professores, pais e alunos programaram diversas atividades culturais, esportivas e familiares como uma forma de resistência pacífica contra a ação policial que pretende impedir a votação.

A polícia catalã (os Mossos d’Esquadra) se apresentou em cada um dos centros para verificar que não estava sendo feita nenhuma atividade relacionada com o referendo, avisando que todos deverão abandonar as instalações antes das 6h da manhã deste domingo (1º).

Resistência pacífica

Frente à possível repressão policial, as instruções dos diferentes partidos políticos e das entidades civis promotoras da independência, Òmnium Cultural e ANC (Assembleia Nacional Catalã), são claras: manter a calma, não revidar provocações e resistir de forma pacífica na fila antes da abertura dos colégios às 9h, e até o seu fechamento, previsto às 20h.

O porta-voz da organização “Bombeiros pela Independência” afirmou que mais de 400 bombeiros de toda a região estão dispostos a ajudar a população a exercer seu direito de votar.

Mais de 50 mil voluntários se inscreveram através do website “Escolas Abertas” para participar da jornada eleitoral, impedido o fechamento dos colégios. Caso os colégios sejam fechados, a Generalitat (Governo da Catalunha) já anunciou que têm alternativas para que o direito ao voto possa exercido.

Observadores internacionais

Para fazer um acompanhamento do referendo, o governo catalão convidou uma delegação parlamentária internacional com mais de trinta deputados e eurodeputados de diferentes tendências políticas de 17 países (16 representantes europeus e 1 de Israel).

O diplomata holandês Daan Everts, chefe do grupo de observadores, em entrevista ao jornal La Vanguardia, defendeu sua imparcialidade frente ao processo catalão e afirmou que não vai avaliar antes de tempo nenhuma medida, mas deixou claro que na segunda-feira será apresentado um relatório com as primeiras impressões e, depois, outro mais extenso incluindo “recomendações”. O porta-voz da delegação é o ex-ministro de Assuntos Exteriores da Eslováquia, Dimitrij Rupel.

Bloqueio de 29 apps

O porta-voz do Governo espanhol, Íñigo Méndez Vigo, confirmou neste sábado o bloqueio dos serviços informáticos da Generalitat sob ordens do Tribunal Superior da Justiça da Catalunha (TSJC), em mais uma ação para impedir o referendo. A Guarda Civil entrou no Centro de Telecomunicações e Tecnologia da Informação (CTTI) da Catalunha e bloqueou até a próxima terça-feira 29 aplicativos que poderiam ser usados para o voto telemático ou recontagem dos votos. Com essa medida, Madri comemora o que considera um novo “golpe ao referendo ilegal”.

Manifestaçoes a favor e contra

Também neste sábado tiveram lugar diversas manifestações contrárias e a favor do referendo nas principais cidades da Espanha. Os protestos contra a independência da Catalunha foram convocadas, em sua maioria, por organizações de extrema-direita para “defender a unidade da Espanha”.

Centenas de pessoas com bandeiras espanholas e slogans tais como “É hora de ouvir a Espanha silenciosa” e “Espanha somos todos” se concentraram em frente às prefeituras das principais cidades. Em Barcelona, foram registrados alguns incidentes, mas sem maiores consequências. Em Madri, alguns manifestantes mostravam bandeiras franquistas, faziam a saudação fascista e cantavam o “Cara al Sol”, o hino da ultradireitista Falange Espanhola.

Por sua vez, foram também numerosas as manifestações de apoio ao direito a decidir dos catalães. Em Madri cerca de 10 mil pessoas se concentraram no bairro de Lavapies sob o lema “Urnas são amores” e em Santiago de Compostela, na Galícia, a multidão defendia que “Votar não é delito”.

Os partidos políticos que se opõem ao referendo participaram também de atos pedindo aos catalães para ficarem em casa neste domingo.

Mais de cinco milhões de catalães (5.345.348 de acordo com as cifras do governo catalão) estão chamados às urnas que, não havendo impedimento, estarão em 2.315 colégios eleitorais, abertos das 9h às 20h deste 1º de outubro.

As entidades pró-independência considerariam um êxito se pelo menos um milhão de pessoas conseguirem votar, apesar da reação do Estado espanhol. Na anterior consulta, convocada pelos independentistas em 9 de novembro de 2014, votaram mais de 2,3 milhões de pessoas.

 

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