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Linha Direta

Catalunha segue em stand-by, Madri pode retirar autonomia da região

Áudio 03:35
O presidente catalão Carles Puigdemont assina a declaração de independência, em Barcelona, em 10 de outubro 2017.
O presidente catalão Carles Puigdemont assina a declaração de independência, em Barcelona, em 10 de outubro 2017. REUTERS/Albert

Depois de muito suspense, o presidente Puigdemont declarou que a Catalunha tinha “adquirido o direito de ser um Estado independente”, mas imediatamente pediu ao Parlamento para “suspender os efeitos da declaração durante algumas semanas” e abrir um tempo para o diálogo. A declaração causou surpresa nos adversários políticos e decepção nos partidários da independência.

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Fina Iñiguez, correspondente em Barcelona

Depois do discurso de Puigdemont, para alguns a Catalunha está em “stand-by”, à espera de uma mediação internacional que sente Rajoy à mesa de negociação. E para outros a situação continua a mesma porque o presidente catalão não renunciou à independência da Catalunha, só está ganhando tempo para conseguir uma reação de Madri.

O governo espanhol convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros na manhã desta quarta-feira (11), para decidir os próximos passos.

Mariano Rajoy também quer ganhar tempo: ele informou que enviou um requerimento a Puigdemont para responder se ele declarou ou nao a indepedencia da Catalunha. Esse sería o passo prévio à aplicaçao do artigo 155 que suspende a autonomia da Catalunha.

Hoje à tarde, Rajoy vai comparecer ao Congresso para debater o assunto. O PSOE (socialista) e o Ciudadanos (centro-direita) são os partidos que o apoiam neste momento.

Segundo analistas, para Madri, Puigdemont não retrocedeu, e o governo espanhol pode aplicar a lei que suspende a autonomia da Catalunha. Uma decisão que muitos analistas consideram mais um erro estratégico de Rajoy, porque fortaleceria ainda mais o independentismo.

Primeiras reações

A primeira reação foi dentro da própria coalizão do governo. O discurso de Puigdemont decepcionou um de seus sócios, o partido anticapitalista CUP, que deu um prazo de no máximo um mês para fazer efetiva a declaração unilateral de independência. Após a sessão plenária, os 73 deputados independentistas assinaram um documento “simbólico” com um compromisso para continuar com o processo da independência, mas esse documento não tem valor jurídico.

De acordo com o governo catalão, Puigdemont abriu “um tempo para o diálogo” depois de ter recebido algumas propostas de mediação internacional com a condição de não tomar nenhuma decisão irreversível. Uma delas teria sido a do Governo suíço, embora Rajoy já tenha dito que não aceita nenhuma mediação.

O Partido Popular, que governa o país, e o Ciudadanos rejeitam a proposta de diálogo de Puigdemont, afirmando que isso só seria possível se o governo catalão voltasse à legalidade e desistisse de seu projeto independentista.

Êxodo empresarial

No plano empresarial também houve reações: o Grupo Planeta, uma das maiores empresas de comunicação do mundo sediada em Barcelona, anunciou sua saída para Madri, aumentando o êxodo empresarial da região.

Cerca de 30 empresas e bancos já tiraram a sede fiscal da Catalunha devido à instabilidade jurídica. Um êxodo que pode prejudicar a receita dos impostos e as finanças da região.

Oito segundos de euforia

Milhares de pessoas que acompanharam o discurso de Puigdemont em telões próximos ao Parlamento catalão e em várias cidades da Catalunha viveram um momento “montanha-russa”. Precisamente 8 segundos de euforia, que foi o tempo que Puigdemont demorou entre o reconhecimento da Catalunha como um estado independente e o pedido de suspensão da declaração.

À espera de que Rajoy explique no Parlamento qual vai ser a postura do governo, por enquanto a bola está no telhado de Madri.

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