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Espanha/ Catalunha

Madri pode suspender autonomia da Catalunha no sábado

Porta-voz do governo espanhol, Inigo Mendez de Vigo, informa sobre a realização de um conselho extraordinário dos ministros, no sábado.
Porta-voz do governo espanhol, Inigo Mendez de Vigo, informa sobre a realização de um conselho extraordinário dos ministros, no sábado. REUTERS/Sergio Perez

O governo da Espanha anunciou nesta quinta-feira (19) a convocação de um conselho extraordinário dos ministros no sábado (20) para abordar a crise política com a Catalunha. Na ocasião, assessores do premiê Mariano Rajoy indicaram que ele deve ativar o artigo 155 da Constituição espanhola, relativo à perda da autonomia política da região, que reclama independência.

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Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

A reunião foi convocada depois de o presidente catalão, Carles Puigdemont, anunciar que poderia pedir ao Parlamento regional que declarasse formalmente a Catalunha independente, caso Madri não abrisse diálogo a respeito do resultado do referendo inconstitucional sobre o tema, realizado em 1º de outubro. Puigdemont também advertiu que declararia independência se continuar a "repressão" do Estado aos líderes e simpatizantes da causa independentista.

"Se o governo do Estado persistir em impedir o diálogo e continuar com a repressão, o Parlamento da Catalunha poderá proceder, se considerar oportuno, a votar a declaração formal de independência que não votou em 10 de outubro", afirma Puigdemont em sua carta ao primeiro-ministro Mariano Rajoy.

O clima se manteve tenso desde que, na segunda-feira, os líderes separatistas Jordi Cuixart e Jordi Sánchez foram presos provisoriamente, à espera de um eventual julgamento por sedição, o que gerou protestos em toda a Catalunha na terça-feira.

O premiê havia dado um prazo até as 10h desta quinta-feira (6h de Brasília) para uma mudança nas ambições separatistas. Rajoy queria um “sim” ou “não” e Puigdemont voltou a oferecer diálogo, mas desta vez avisando que a responsabilidade da aplicação do artigo que suspende a autonomia da Catalunha é de Rajoy. A declaração de independência foi suspensa no dia 10 de outubro, na expectativa da abertura formal de negociações entre as duas partes.

Futuro imprevisível

Os próximos passos agora são imprevisíveis porque nunca antes o artigo 155 foi aplicado nos 40 anos de democracia espanhola. A pergunta que alguns analistas se fazem é se Rajoy tem a capacidade de intervir em um governo com 240 mil funcionários que se rebelaram, depois de não ter conseguido parar um referendo proibido pelo Tribunal Constitucional.

Enquanto isso, as consequências econômicas se agravam: mais de 800 empresas transferiram suas sedes da Catalunha para outras cidades da Espanha e a previsão da Airef (Autoridade Independent de Responsabilidade Fiscal, o órgão observador das contas públicas) é de que, se o conflito continuar, o crescimento econômico em 2018 vai diminuir 1,5%. Além disso, tensão nas ruas deve aumentar, com manifestações previstas nos próximos dias.

Com informações da Reuters e AFP

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