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Ataque contra prefeito pró-refugiados choca Merkel e comove Alemanha

Angela Merkel durante encontro com prefeitos de cidades alemãs na chancelaria, em Berlim, em 28 de novembro de 2017.
Angela Merkel durante encontro com prefeitos de cidades alemãs na chancelaria, em Berlim, em 28 de novembro de 2017. REUTERS/Hannibal Hanschke

A chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou seu horror nesta terça-feira (28) depois da agressão sofrida por um prefeito de seu partido (CDU), esfaqueado por um homem contrário à política de acolhimento de refugiados na Alemanha.

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Andreas Hollstein, o prefeito de Altena, cidade no oeste da Alemanha, foi esfaqueado no pescoço por um homem que protestava contra a política pró-refugiados do município. Apesar de um ferimento de 15 centímetros, o prefeito Hollstein já recebeu alta do hospital.

"Estou horrorizada com esse ataque a faca", disse Merkel no Twitter, por meio de seu porta-voz. "Não podemos aceitar que pessoas possam ser agredidas porque ajudaram outras pessoas", comentou o ministro da Justiça alemão, Heiko Maas.

"Os serviços de segurança partem do princípio de que esse ataque teve uma motivação política, dadas as palavras pronunciadas pelo agressor", indicou o ministro-presidente do Estado regional de Renânia, do Norte-Westfália, onde aconteceu o ataque, na noite de segunda-feira (27).

O prefeito foi ferido no pescoço quando estava na frente de um restaurante turco. Visivelmente alcoolizado, segundo testemunhas, e armado com uma faca de 22 centímetros, o agressor, de 56 anos, perguntou: "Você é o prefeito?".

O agressor teria então criticado duramente sua política de acolhida de imigrantes, segundo relatou a imprensa alemã. Em seguida, agrediu-o, antes de ferir levemente um funcionário do restaurante, que agiu em defesa do prefeito. Ainda com curativo no pescoço, ele agradeceu aos funcionários do restaurante, que o ajudaram a neutralizar o agressor e chamaram a polícia.

Mais de um milhão de refugiados desde 2015

Com cerca de 18 mil habitantes e uma generosa política pró-imigrantes, Altena acolheu mais refugiados do que lhe cabia, segundo o sistema nacional de distribuição. Nas eleições legislativas de setembro, a extrema-direita da AfD conseguiu, nessa circunscrição, um resultado mais fraco do que em nível nacional (11,6%).

"De qualquer maneira, vou continuar me ocupando das pessoas e, particularmente, dos refugiados. Os que já estão em nossa cidade e os que chegarão a ela", garantiu o prefeito. O agressor deve ser processado por "tentativa de assassinato", segundo um porta-voz do Ministério Público.

Mais de um milhão de solicitantes de asilo chegaram à Alemanha desde 2015, após a decisão de Angela Merkel de abrir as portas do país. Essa decisão lhe valeu críticas, e um aumento considerável da presença da extrema-direita no Parlamento, após as eleições legislativas de setembro.

O caso do prefeito de Altena relembra uma agressão parecida contra a prefeita de Colônia, Henriette Reker, em outubro de 2015. Ela foi gravemente ferida por um simpatizante de extrema-direita que denunciava a chegada de solicitantes de asilo à cidade. Nesta terça-feira, Reker manifestou seu apoio a Hollstein: "O ódio e a violência não são uma solução, são o problema", afirmou.

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