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Rússia/Eleição

Putin celebra reeleição recebido como uma estrela de rock

Vladimir Putin celebra a vitória na eleição presidencial russa na esplanada Manezhnaya, na entrada da Praça Vermelha, diante de milhares de pessoas.
Vladimir Putin celebra a vitória na eleição presidencial russa na esplanada Manezhnaya, na entrada da Praça Vermelha, diante de milhares de pessoas. Alexander Zemlianichenko/POOL via Reuters

Foi com ares de popstar que Vladimir Putin subiu no palco instalado ao lado da Praça Vermelha na noite deste domingo (18). Antes mesmo da apuração total dos votos, o presidente fez questão de agradecer seus eleitores em Moscou pelo resultado do pleito que lhe deu um quarto mandato como presidente do país.

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Enviado especial a Moscou

As amigas Nadia e Irina não sabiam o que fazer como tanta alegria. Elas foram para a esplanada ao lado da Praça Vermelha para comemorar os quatro anos da anexação da Crimeia (que Moscou prefere chamar de “reunificação"). A celebração nesse domingo de eleição não é uma coincidência, pois foi o próprio Putin que mudou a lei para que, este ano, o pleito fosse realizado no mesmo dia no aniversário da conquista do território ucraniano, vista por ele como uma das vitórias desse terceiro mandato.

“Como sabíamos que era uma festa pela reunificação da Crimeia, trouxemos nossas bandeiras da Rússia”, relatam as jovens, que assistiram um show com cantores conhecidos do público russo, e ainda viram a estrela da noite: “Putin falou por alguns minutos, e foi genial”, disse Nadia a caminho do metrô, enquanto atravessava um longo corredor formado por milhares de policiais e militares, que cercaram todas as calçadas em volta do monumento.

Irina (d) e Nadia levaram suas bandeiras para celebrar a anexação da Crimeia e a reeleição de Vladimir Putin
Irina (d) e Nadia levaram suas bandeiras para celebrar a anexação da Crimeia e a reeleição de Vladimir Putin RFI

Como em 2012, quando foi reeleito, Putin fez um discurso. Mas desta vez não houve choro - ou lágrimas provocadas pelo vento frio, como alegou o chefe de Estado na época. “Vejo a confiança e a esperança de nosso povo e vamos trabalhar de forma intensa, responsável e eficaz”, declarou o presidente, reeleito por mais seis anos com mais de 75% dos votos, segundo os resultados parciais divulgados após a apuração de metade das urnas. O candidato do Partido Comunista, Pavel Groudinine, ficou em segundo, com cerca de 15%, eliminando qualquer possibilidade de um segundo turno.

"Os oligarcas não gostam de Putin, mas o povo sim"

Mas para quase todos que enfrentaram as temperaturas negativas desta noite de domingo, esses números não foram nenhuma surpresa. “Estamos muitos contentes e não esperávamos outro resultado”, declarou Vadim, orgulhoso de sua bandeirinha da Rússia pregada no casaco. “Nosso país e nosso povo apoiam Putin. Talvez os oligarcas não gostem dele, mas entre as classes populares ele é muito querido. É o nosso líder e confiamos nele”, completou seu colega Sergei, lembrando que o presidente é filho de uma família operária.

Vadim (com a bandeira) e o amigo Sergei, dizem que Putin é querido pelo povo, mesmo se não agrada os oligarcas.
Vadim (com a bandeira) e o amigo Sergei, dizem que Putin é querido pelo povo, mesmo se não agrada os oligarcas. RFI

Oxana e seu filho Aliocha, de 13 anos, também não escondiam a alegria do momento. “Putin ganhou de verdade!”, se empolgou o adolescente, ainda impressionado pelo resultado das urnas, mesmo se todas as pesquisas do institutos de sondagem – ligados ao governo – já anunciavam uma vitória esmagadora. “Votei nele porque considero que era o candidato mais digno”, explica sua mãe. “Não confiava nos demais”, completa. 

Oxana e seu filho Aliocha celebraram a reeleição de Vladimir Putin na festa realizada ao lado da Praça Vermelha
Oxana e seu filho Aliocha celebraram a reeleição de Vladimir Putin na festa realizada ao lado da Praça Vermelha RFI

Já para outros eleitores, como Vitali, o presidente representa uma certa segurança para a população. “Claro que esperamos uma melhoria de nossas condições de vida com esse novo mandato. Mas além disso, do ponto de vista internacional, Putin faz tudo para que nosso país seja protegido de todos os perigos”. O líder de Kremlin, que considera o fim da União Soviética como “ a maior catástrofe geopolítica do século 20, alega ter conseguido restaurar a influência da Rússia no mundo.

A falta de concorrentes sérios e a sensação de proteção encarnada por Putin, disposto a tudo para defender seu país, foram os argumentos de peso dessa campanha. E ele martelou nesses aspectos durante seu breve discurso de vitória. “Vamos pensar no futuro de nossa grande pátria e de nossos filhos. Fomos feitos para o sucesso”, declarou o chefe de Estado, no tom ufanista que caracteriza sua retórica. “Precisamos manter nossa união, pois essa união é necessária para avançarmos”, concluiu Putin, enquanto o público gritava, em coro, “Rússia, Rússia, Rússia!”.

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