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Linha Direta

Estátua polêmica marca os 200 anos de Karl Marx, o pai do comunismo

Áudio 04:28
Escultura de bronze de Karl Marx em sua cidade natal, Trier, Alemanha, em 13 de abril de 2018.
Escultura de bronze de Karl Marx em sua cidade natal, Trier, Alemanha, em 13 de abril de 2018. REUTERS/Wolfgang Rattay

Nesse sábado (5), o mundo lembra os 200 anos de nascimento de Karl Marx. A cidade de Trier, onde nasceu o pensador alemão, comemora a data com uma série de eventos, incluindo a inauguração de uma grande estátua do filósofo doada pela China. O monumento, com mais de 5 metros de altura, é motivo de controvérsia.

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Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

O filósofo alemão, devido a sua relação com as ideologias comunistas, continua muito controverso. Uns o veem como o símbolo de tudo de ruim que aconteceu nos últimos anos, como a origem de regimes ditatoriais que provocaram a morte de milhões de pessoasem vários países. Outros o veem como um pensador que mudou o mundo e criou um pensamento original que buscava acabar com as injustiças sociais de seu tempo.

Na Alemanha, assim como no resto do mundo, Marx continua sendo motivo de discussões, e esse aniversário não podia ser diferente. Ele permanece estreitamente associado à ditadura da Alemanha Oriental, ao Muro de Berlim e à divisão do país durante mais de quatro décadas.

Ativistas de esquerda aos pés do monumento de Karl Marx, após um protesto contra a manifestação de grupos de extrema-direita alemães em Chemnitz, Alemanha, em 1º de maio de 2018.
Ativistas de esquerda aos pés do monumento de Karl Marx, após um protesto contra a manifestação de grupos de extrema-direita alemães em Chemnitz, Alemanha, em 1º de maio de 2018. REUTERS/Matthias Rietschel

Por outro lado, Marx ainda continua sendo visto por muitos alemães como o criador de um pensamento que se opõe ao capitalismo selvagem, criticado por uma boa parte da população do país. Muitos alemães concordam com o que disse na quinta-feira (3) o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, que o filósofo Marx, “apesar de todas as contradições”, mantém seu lugar na história como “um grande pensador alemão”, do qual, segundo ele, “não devemos ter medo”.

A inauguração do monumento a Marx em Trier é mais um exemplo de como o pensador continua dividindo, mesmo na cidade natal dele, onde o filósofo viveu seus primeiros 17 anos de vida. A estátua que será inaugurada neste sábado, em ato solene, é um colosso de 4,4m e com mais de duas toneladas. Com o pedestal, o monumento tem 5,5m e mostra o pensador de pé, segurando um livro.

Presente da China

Para botar ainda mais pimenta na discussão, a estátua é um presente da China. Muitos críticos dizem que a cidade não podia aceitar uma doação de uma ditadura, um país que não respeita os direitos humanos e a liberdade de expressão.

As autoridades de Trier dizem que a estátua não tem a intenção de glorificar Karl Marx, mas encorajar a discussão em torno da herança do pensador. A prefeitura também ressalta ser importante manter os laços de amizade com a China – num viés bem capitalista dessa história. A cidade recebe a visita de 50 mil turistas chineses por ano. Outras estimativas falam em mais de 100 mil turistas por ano.

Para essa clientela, a cidade preparou não só diversas atrações culturais em torno do aniversário de Marx, como souvenires especiais, que vão desde pequenos bustos e patinhos de borracha com a imagem de Marx até uma nota de € 0 com o rosto do pensador alemão - que pode ser comprada por € 3.

Os chineses vão a Trier visitar a casa na qual Marx nasceu, onde existe um museu. O local inaugura neste sábado uma nova exposição permanente sobre o filósofo. A mostra é um dos pontos altos das centenas de eventos realizados na cidade natal de Karl Marx por ocasião do bicentenário do filósofo, que se estendem durante todo o ano de 2018.

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