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Rússia/Copa do Mundo

Rússia: Repressão da polícia impede prostitutas de trabalhar na Copa do Mundo

Prostíbulos foram fechadas pela polícia russa às vésperas da Copa do Mundo
Prostíbulos foram fechadas pela polícia russa às vésperas da Copa do Mundo France 24

Para as prostitutas russas, a Copa do Mundo de 2018 e seus torcedores vindos do mundo todo anunciavam uma boa temporada. Mas, na realidade, muitas se manterão afastadas do evento para evitar a forte pressão policial.

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"A maior parte dos prostíbulos está fechando. A polícia adverte que os que se mantiverem abertos ficarão por sua conta e risco", explicou Irina Maslova, que dirige a Serebriannaya Rosa, uma associação de defesa dos direitos das prostitutas. Segundo ela, somente as casas de prostituição que beneficiarem da proteção da polícia e das autoridades – em troca de uma parte de seus lucros – poderão operar durante a Copa da Rússia, que começa na próxima quinta-feira (14) e vai até 15 de julho.

O país, que investiu bilhões neste evento esportivo, quer mostrar uma imagem limpa e sem incidentes, como já fez em outras manifestações do gênero. Durante as Olimpíadas de Inverno 2014 em Sochi (sul), a polícia distribuiu multas severas às prostitutas, e em alguns casos até as condenaram à prisão enquanto o evento esportivo acontecia.

Em 2003, durante o 300º aniversário de São Petersburgo, Irina Moslova foi isolada por 48 horas. Outras foram levadas para fora da cidade durante o período de comemoração.

"Para evitar esse perigo, para proteger suas vidas, sua saúde, sua segurança e, às vezes, a sua reputação, (as prostitutas) deixarão a cidade, porque ficar em locais onde haverá um grande acontecimento é simplesmente impossível", admitiu Maslova.

As melhores prostitutas do mundo

Celebradas como "as melhores do mundo" pelo presidente russo, Vladimir Putin, eram muitas as prostitutas que percorriam as ruas durante a década de 1990, marcada pela liberalização social e pelo empobrecimento de uma parte da população após a queda da União Soviética. Mas nos últimos anos, as autoridades endureceram o tom de maneira progressiva, forçando as trabalhadoras do sexo a passar à clandestinidade. O setor também se viu atingido pela crise financeira de 2014, que se traduziu na redução da demanda e das tarifas.

Mas agora, embora a prostituição seja ilegal na Rússia, os clubes de strip-tease são aceitos e se preparavam para aumentar seus lucros após vários anos de penúria. "Nós esperamos um grande fluxo de clientes, ao menos duas ou três vezes a mais que o habitual", afirmou à Lucky Lee, dona do clube Golden Girls, no centro de Moscou.

Prostíbulos ofereceram aula de inglês

Com o objetivo de atender a sua clientela estrangeira, o clube ofereceu aulas de inglês a suas funcionárias. "Tratam-se de aulas de inglês básico. Discutimos temas variados: como reservar um hotel, como falar com os clientes", afirma Melanie, uma jovem de 29 anos que faz strip-tease.

"Seria bom ter mais trabalho durante a Copa... todo mundo sofre" com a crise, acrescenta a moça, que trabalha há seis anos no Golden Girls. Se antes o salário das dançarinas oscilava entre € 4.200 e € 8.500, hoje podem ficar entre € 1.700 e € 4.200, explica Lucky Lee. Segundo ela, as sanções impostas pelos países ocidentais após a anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia em março de 2014 tiveram muito a ver com a notável desvalorização da moeda russa.

(Com informações da AFP)

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