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Protesto/Alemanha/Xenofobia

Onda anti-imigração preocupa na Alemanha

Policiais alemães fazem a segurança durante manifestação da extrema-direita em Dresden, em 28 de agosto de 2018.
Policiais alemães fazem a segurança durante manifestação da extrema-direita em Dresden, em 28 de agosto de 2018. REUTERS/Matthias Rietschel

A manifestação ocorrida na tarde dessa terça-feira (28) em Dresden, cidade perto de Chemnitz e capital do estado regional da Saxônia, onde a extrema-direita da Alemanha está fortemente estabelecida, teve pouca repercussão.

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O gatilho para os protestos ocorreu no último fim de semana quando um alemão, de 35 anos, foi esfaqueado durante uma briga em uma festa em Chemnitz por razão desconhecida. A polícia prendeu dois suspeitos, um sírio e um iraquiano de pouco mais de vinte anos, acusados ​​de agir depois de um "ataque verbal".

Desde então, movimentos radicais da cidade, e de toda a região da Saxônia, mobilizam a opinião pública contra a imigração e a política do governo de Angela Merkel, a quem eles responsabilizam por ter deixado entrar mais de um milhão de pessoas que pediram asilo provenientes da Síria e do Iraque, em 2015 e 2016.

Os manifestantes marcharam aos gritos de "fora estrangeiros" e "nós somos o povo". Na liderança dessas iniciativas estão o movimento ultra-anti-islâmico Pegida, nascido na região, e a Alternativa para a Alemanha (AfD), o principal partido de oposição em Berlim.

O chefe do governo da Saxônia, Michael Kretschmer, alertou contra rumores falsos de que o homem havia sido morto enquanto tentava proteger uma mulher.

Reação contra o ódio

"O ódio na rua" não tem lugar na Alemanha, alertou a chanceler Angela Merkel nessa terça-feira, enquanto a preocupação no país aumenta após os incidentes em Chemnitz durante as manifestações de extrema-direita contra estrangeiros. "O que vimos não tem lugar em um estado de direito", disse ela em uma conferência de imprensa em Berlim. "Temos visto caçadas coletivas, temos visto ódio nas ruas e isso não tem nada a ver com o estado de direito", insistiu Merkel, referindo-se às imagens das manifestações em Chemnitz.

As "caçadas" contra estrangeiros, organizadas por simpatizantes de extrema-direita no domingo nas ruas de Chemnitz, seguidas da violência que marcou na noite de segunda-feira um novo protesto que reuniu cerca de 6.000 pessoas, em que muitos marcharam fazendo a saudação de Hitler, tem sido um choque para o país.

Na segunda-feira à noite, vinte pessoas, incluindo dois policiais, ficaram feridas em confrontos entre manifestantes de extrema-direita e contramanifestantes da extrema-esquerda, segundo informou a polícia local.

A revista Der Spiegel chamou atenção em seu site que “quando multidões de extrema-direita criam tumulto no coração da Alemanha e o Estado de direito é ultrapassado pelos acontecimentos, lembra um pouco a situação da República de Weimar ". Uma referência ao regime político democrático nascido na Alemanha na esteira da Primeira Guerra Mundial, que teve que enfrentar regularmente tentativas de desestabilização nas ruas até desaparecer quando Adolf Hitler assumiu o poder, em 1933.

O Partido Social-Democrata, membro da coalizão de governo de Angela Merkel, expressou preocupação com o endurecimento ideológico tanto no nível nacional como internacional.

Para o chefe da diplomacia Heiko Maas, o extremismo de direita representa "uma ameaça à coesão das nossas sociedades". Devemos fazer tudo para defender a democracia e a liberdade, não só em Chemnitz, mas em todo o mundo ", afirmou.

Josef Schuster, chefe do Comitê Central dos Judeus na Alemanha, também expressou sua preocupação, dizendo que "todo cidadão tem o dever de se levantar contra os movimentos de extrema-direita".

 

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