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Suécia

Pivô de escândalo sexual que sacudiu Academia do Nobel começa a ser julgado

Cercado por câmeras, Jean-Claude Arnault evitou falar com a imprensa ao chegar no tribunal.
Cercado por câmeras, Jean-Claude Arnault evitou falar com a imprensa ao chegar no tribunal. TT News Agency/Fredrik Sandberg

Começou nessa quarta-feira (19) em Estocolmo o julgamento de Jean-Claude Arnault. O francês, nome de peso no mundo cultural da Suécia, é acusado de dois estupros, revelados em pleno movimento #MeToo. O caso estremeceu as bases da Academia Sueca do Nobel, instituição à qual o suspeito é vinculado.

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Arnault, que não fez nenhuma declaração ao chegar ao tribunal, "rejeita as acusações", segundo anunciou aos juízes o advogado de defesa, Björn Hurtig. Como acontece com os casos de agressões sexuais, o tribunal determinou que a audiência aconteça a portas fechadas, sem a presença de jornalistas.

A vítima dos dois estupros, que não teve a identidade revelada, é representada por Elisabeth Massi Fritz, advogada sueca especializada na defesa das mulheres. Segundo detalhes do projeto divulgados pelas agências de notícias, em 5 de outubro de 2011, em um apartamento de Estocolmo, Arnault obrigou a mulher a uma "relação oral" e depois a uma penetração vaginal, quando a jovem se encontrava em "estado de vulnerabilidade e de intenso medo", o que a impediu de defender-se. Os atos teriam se repetido na madrugada de 2 para 3 de dezembro de 2011, no mesmo apartamento, quando a vítima dormia.

Essa não é a única acusação do gênero visando Arnault. No entanto, parte da investigação preliminar aberta contra ele por outros supostos estupros ou agressões sexuais cometidas entre 2013 e abril de 2015 foi arquivada, por falta de provas ou prescrição.

O francês de 72 anos é casado com uma integrante da Academia Sueca que concede desde 1901 o prêmio Nobel de Literatura. Ele também é personalidade influente no mundo cultural em Estocolmo. O Foro, um clube seleto dirigido por Arnault, era visitado por toda a intelligentsia da capital sueca. Várias jovens, fãs de literatura, tentavam, entre uma apresentação de jazz ou uma leitura de Proust, se aproximar de um editor ou um escritor famoso.

Caso revelado logo após escândalos de Harvey Weinstein

Um mês depois das acusações de estupros e abusos sexuais contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, em outubro de 2017, o jornal Dagens Nyheter (DN) publicou os depoimentos anônimos de 18 mulheres que afirmaram ter sido agredidas ou assediadas por Jean-Claude Arnault. O escândalo provocou um terremoto na Academia. Uma investigação interna realizada pela instituição demonstrou que várias acadêmicas, ou esposas e filhas de acadêmicos, também sofreram com a "intimidade não desejada" e os comportamentos "inapropriados" do acusado. Arnault pode ser condenado a até seis anos de prisão.

O caso revelou um funcionamento opaco da Academia – uma rica instituição privada fundada em 1786 com base no modelo da Academia francesa –, assim como seus conflitos de interesse, jogos de influência e a cultura do silêncio que reinava no local. Oito acadêmicos renunciaram de forma definitiva ou temporária, incluindo a secretária perpétua, Sara Danius. A atribuição do Nobel de Literatura de 2018 foi adiada para 2019, enquanto a instituição, em ruínas, tenta uma difícil reconstrução.

A Academia deve escolher em breve os novos integrantes, que decidirão os vencedores do Nobel de 2018 e 2019.

(Com informações da AFP)

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