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Populismo/UE

Orçamento vira arma da extrema direita italiana para abalar a Europa

A imprensa francesa acompanha a movimentação de populistas na Europa para informar sobre as ameaças que eles representam à estabilidade da União Europeia.
A imprensa francesa acompanha a movimentação de populistas na Europa para informar sobre as ameaças que eles representam à estabilidade da União Europeia. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa detalha nesta terça-feira (15) as manobras da extrema direita europeia visando as eleições para a renovação do Parlamento Europeu, marcadas para maio de 2019.

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O jornal Les Echos publica uma extensa reportagem sobre o orçamento de 2019 elaborado pelo governo populista da Itália, liderado por Luigi di Maio, o vice-primeiro-ministro antissistema do Movimento 5 Estrelas, e Matteo Salvini, ministro do Interior de extrema direita. O projeto, enviado na segunda-feira à Comissão Europeia, eleva os gastos públicos, ignora as metas de déficit planejadas pelo governo anterior, com o objetivo explícito de provocar um choque no eleitorado a poucas semanas da eleição para o Parlamento Europeu, quando as medidas populistas devem entrar em vigor.

Mais do que um projeto, o orçamento italiano é uma tragicomédia e um panfleto eleitoral, adverte Les Echos, pois presenteia os italianos com um programa de renda mínima mensal de € 780, o equivalente a R$ 3.370 no câmbio de hoje. Prevê o aumento de pensões e aposentadoria antecipada opcional a 400 mil italianos, além da contratação de 10 mil policiais pelo regime do funcionalismo. O político antissistema Luigi di Maio reuniu os parlamentares de seu partido para celebrar "o orçamento que vai abolir a pobreza na Itália", conta Les Echos, sem se importar com quem irá pagar a conta. Os populistas se referem ao governo de centro-esquerda anterior de "ladrões do povo italiano".

A questão é que a dívida italiana é a segunda maior da União Europeia depois da grega e já consome 130% de toda a riqueza produzida anualmente no país. Equivale a cerca de € 2,3 trilhões, quase $ 10 trilhões. Entrevistado pelo Les Echos, o cientista político Massimiliano Pananari afirma que os governos precedentes da Itália sempre tentaram escapar das regras de controle orçamentário exigidas pelo pacto de estabilidade do bloco. Mas, desta vez, os populistas questionam a legitimidade do pacto. Para o especialista, "os populistas governam em ritmo de campanha permanente, com uma proposta orçamentária que não está a serviço do desenvolvimento nem da indústria italiana, apenas para fins eleitorais".

Marine Le Pen visa grandes centros urbanos

Os jornais Le Figaro e Le Parisien também registram a movimentação da líder da extrema direita, Marine Le Pen, que chamou Jair Bolsonaro de "desagradável" na semana passada.

Segundo Le Parisien, Marine tentou em julho mobilizar líderes de partidos republicanos contra uma decisão da Justiça francesa de confiscar € 2 milhões (R$ 8,6 milhões) do financiamento público de seu partido - Reagrupamento Nacional (RN) -, depois de ser condenada por desvio de dinheiro do Parlamento Europeu. Mas o apelo de Marine Le Pen não teve sucesso, relata Le Parisien.

Le Figaro mostra que Marine Le Pen tenta descobrir de que maneira poderá aumentar seu eleitorado nas grandes cidades, como Paris, Lyon e Bordeaux, onde os votos para candidatos de extrema direita não passam de 8%. O partido da extremista já prepara as eleições municipais de 2020, mas aposta em um menor número de candidatos, porém mais qualificados.

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