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Itália começa a demolir restos de ponte que caiu em Gênova

A ponte Morandi, na cidade de Gênova, no dia 15 de agosto de 2018
A ponte Morandi, na cidade de Gênova, no dia 15 de agosto de 2018 REUTERS/Stefano Rellandini/File Photo

Os trabalhos de demolição da ponte Morandi, que caiu em agosto passado na cidade italiana de Gênova, começaram diante de diversas câmeras nesta sexta-feira (8). Esse é um dia simbólico, que deve marcar uma virada de página para construir um novo projeto e esquecer a tragédia que deixou 43 mortos.

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Com informações do correspondente em Roma, Eric Sénanque

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, estava presente, equipado com um capacete de proteção. Ele celebrou um “dia importante, um momento de redenção para a cidade de Gênova e para a Itália”.

Milhares de toneladas de aço e de concreto já foram retirados dos destroços, mas a operação de hoje tinha um objetivo “simbólico” para o país. Um pedaço de 36 metros de largura e pesando 900 toneladas foi progressivamente desligado do resto e trazido para o solo, 48 metros abaixo.

A silhueta da ponte Morandi vai desaparecer pouco a pouco do horizonte dos moradores da cidade, ainda traumatizados pela catástrofe. Na quinta-feira (7), em Roma, o ministério da Economia anunciou € 60 milhões para a reconstrução, fatura que será apresentada à sociedade de gestão das rodovias, a Autostrade per l’Italia.

A demolição completa deve durar pelo menos seis meses, antes da construção de uma nova obra arquitetônica, feita pelo mundialmente conhecido Renzo Piano. A nova ponte terá a forma de um barco e poderá durar até mil anos, de acordo com o arquiteto.

Relembre o caso

O acidente aconteceu no dia 14 de agosto de 2018, fazendo com que vários veículos despencassem. Na época, testemunhas descreveram uma uma cena "apocalíptica", afirmando que nove ou dez veículos estavam em cima do viaduto quando ele caiu.

A ponte foi construída nos anos 1960 e o governo tinha iniciado uma reforma na obra em 2016. Ela tinha 1.182 metros de comprimento e 45 de altura. A rodovia ligava a França à Itália. No Twitter, os internautas publicaram fotos surpreendentes da queda da ponte, como foi o caso do deputado Sergio Batelli, do movimento 5 Estrelas.

A queda foi envolvida numa polêmica sobre falhas na concepção do viaduto Morandi e as obras de manutenção. Concebida nos anos 60, a ponte foi construída com concreto armado, um material que se degrada com o tempo mais do que o aço e tem um custo maior de manutenção. O local registrava um tráfego intenso, com 25 milhões de veículos por ano, nessa que é uma região industrial vital para a economia da Itália.

Nos últimos anos, engenheiros vinham apontando vários problemas na infraestrutura da ponte Morandi. Segundo a imprensa italiana, o grupo Atlantia, gestor do viaduto e também presente no Brasil, estava ciente da necessidade de novas obras, mas teria adiado os trabalhos para o segundo semestre, depois das férias de verão.

Em 5 anos, 10 pontes desabaram na Itália. O ministro italiano dos Transportes, Danilo Toninelli, anunciou uma auditoria nacional em todos os viadutos e túneis antigos da Itália. Ele também disse ter iniciado um processo para retirar a concessão da subsidiária Atlantia, alegando que ela não foi capaz de assumir suas obrigações.

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