Acessar o conteúdo principal
israel/polêmica

“Poloneses bebiam leite com antissemitismo de suas mães”, diz chanceler de Israel

O chanceler inteiro de Israel, Yisrael Katz.
O chanceler inteiro de Israel, Yisrael Katz. Miriam Alster/Flash90

A reunião do Grupo de Visegrado, o bloco de cooperação formado por quatro países da Europa Central (Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia), foi cancelada nesta segunda-feira (18 de fevereiro) por causa de comentários feitos pelo premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e pelo ministro interino do Exterior, Yisrael Katz.

Publicidade

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Em entrevista na semana passada, o premiê Benjamin Netanyahu tocou em uma ferida aberta na relação entre poloneses e israelenses: o nível de envolvimento e cooperação da Polônia com o regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Netanyahu disse que “os poloneses cooperaram com os nazistas” e que “não se pode esconder a verdade”.

As palavras do líder israelense levaram o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, a cancelar a visita a Israel e anunciar o envio do ministro das Relações Exteriores em seu lugar.

Comentando o caso, o novo chanceler interino de Israel, Yisrael Katz, disse, em entrevista à imprensa local, que “os poloneses bebiam leite com antissemitismo diretamente de suas mães”. Como reação, os poloneses decidiram boicotar totalmente a conferência.

O primeiro-ministro polonês Morawiecki classificou as declarações de Katz como "racistas e inaceitáveis". O governo tcheco também decidiu pelo boicote à reunião e ela foi cancelada.

A reunião do Grupo de Visegrado, ou V4, aconteceria em Jerusalém entre terça (18) e quarta-feira (19). Seria o primeiro encontro do bloco – formado em 1991 – fora da Europa.

Netanyahu mantém agenda mesmo assim

Assessores de Netanyahu disseram que, mesmo que a reunião não aconteça, o premiê vai se encontrar com os outros líderes que estarão em Israel, Viktor Orban (Hungria), Andrej Babiš (Republica Tcheca) e Peter Pellegrini (Eslováquia).

O incidente diplomático começou quando o jornal israelense The Times of Israel fez uma entrevista com Netanyahu, na semana passada, durante a Conferência de Varsóvia, na qual 60 países se reuniram para discutir políticas para o Oriente Médio. 

Em resposta a uma das perguntas, o primeiro-ministro afirmou que um número “não insignificante” de poloneses colaborou com os alemães durante o Holocausto, sem que tenham sido julgados por isso.

Recentemente, o governo polonês aprovou uma nova lei instituindo que é proibido afirmar que a Polônia, enquanto nação, colaborou com os nazistas durante o Holocausto. 

A embaixadora de Israel em Varsóvia, Anna Azari, foi convocada pela chancelaria polonesa para esclarecer os comentários. Em comunicado, a assessoria do premiê tentou esclarecer que Netanyahu não disse que a Polônia, como nação, colaborou com Hitler, mas sim alguns poloneses.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.